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Cronistas

A rádio em 2018 (fim): Eles estão lá fora e querem participar

23 de Janeiro de 2009 às 07:20:40, por Meios & Publicidade

por, João Paulo Meneses – Jornalista (TSF) e investigadorUm ano depois de iniciar este ciclo de crónicas e dois anos depois de começar a escrever sobre rádio na Meios & Publicidade não mudou muito na oferta radiofónica portuguesa através da Internet. Os operadores portugueses ainda não aderiram à ideia de «web2.0» e continuam cheios de dúvidas sobre os conteúdos que vão colocar online.
Essa fase já devia estar ultrapassada – por adquirida: quanto mais oferta (bem organizada e arrumada) melhor, seja a partir da emissão hertziana seja com conteúdos próprios e diferenciados; seja depois de passar na emissão hertziana seja antes.
Em Portugal ainda nos encontramos na fase de experimentar meia dúzia canais novos, sobretudo de música, quando deveria ser pacífico que quantos mais melhor (sendo que isto não é sinónimo de «infinito»: na net só há o que é consumido, não há conteúdos sem público).
Ultrapassada a fase de tirar partido da digitalização para potenciar os actuais conteúdos, deveríamos estar a investir na interactividade. Na verdadeira interactividade que a internet potencia.
Os patrões da comunicação social têm um ponto em comum com os políticos: gostam de falar em nome dos seus consumidores, gostam de os invocar, sentindo-se como que legitimados. Mas os ouvintes – no caso da rádio – sempre foram um impecilho: não é difícil perceber que nas redacções ninguém gosta de os ouvir; além do mais, quem conhece o telefone de uma rádio de cor para fazer uma reclamação ou sugestão? Alguém se lembra de uma rádio que divulgasse regularmente o seu telefone, incentivando à participação?
Nem o argumento de que o modelo telefónico não era potenciador da interactividade serve. Mas realmente com a net tudo pode mudar. Tudo muda?
Basta ouvir para perceber que salvo raras excepções (ao nível do programa em concreto), não existem estratégias para incentivar os ouvintes a entrar em contacto connosco. A minha experiência mostra que sim (e estudos de usos e gratificações feitos em diversos pontos do mundo comprovam-no), que eles querem participar, querem ser ouvidos, querem tentar interagir (ou seja, querem tentar influenciar). Mas quem é que nas rádios lhes responde, quando enviam um e-mail (resposta personalizada como merecem os nossos clientes)?
Para evoluirmos e nos adaptarmos aos novos tempos (os tempos em que os nossos antigos ouvintes estão cada vez mais na net), temos de apostar na interactividade digital. Temos de os deixar comentar, de os deixar intervir, temos de lhes responder – e não fazê-lo apenas burocraticamente; primeiro porque eles percebem e não vão gostar, depois porque eles podem ajudar-nos, eles vão ajudar-nos! Não estamos sempre a dizer que é por causa deles e para eles que existimos?
Então passemos de uma vez por todas das palavras aos actos!<

PS – Termina aqui esta colaboração regular com a Meios & Publicidade. Estão online as restantes 11 crónicas; na página do Meios & Publicidade ou em ipodgeneration.blogsome.com. Obrigado à Carla Borges Ferreira pela oportunidade.

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