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Artigos de Fundo

Bluetooth: O marketing em tempo

5 de Dezembro de 2008 às 09:30:17, por Filipe Pacheco

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O aparecimento de algumas empresas no último ano na área do bluetooth marketing parece dar indícios de que esta poderá vir a ser uma ferramenta de comunicação incontornável para os anunciantes. As vantagens, segundo os responsáveis ouvidos pelo M&P, são muitas, mas só em 2009 poderá ser dada uma resposta quanto à efectiva adesão das marcas a esta ferramenta…

Imagine-se nas imediações de um centro comercial. Recebe uma mensagem no telemóvel a dizer que na compra de um produto de determinada gama tem um desconto de dez por cento. Aceita e dirige-se à caixa para pagar. Apresenta uma imagem que, ao ser passada num leitor de código de barras, valida a promoção. Esta é uma de entre várias soluções tecnológicas apresentadas pela Awesome Software aos anunciantes. A empresa, sedeada em Leiria, foi criada em Abril com financiamentos da Inov Capital e o modelo de negócio assenta na criação de conteúdos a serem transmitidos via bluetooth, através de uma caixa emissora que poderá ser alugada para acções de marketing. E se tudo correr como o previsto e o negócio for “gerido correctamente”, a empresa reúne todas as condições para “no prazo de dois anos ter um forte crescimento”, acredita Frederico Cardoso, um dos sócios fundadores da empresa.

A Vision Express, em Agosto, recorreu aos serviços da Awesome para promover a linha de lentes de contacto Dailies. Nas lojas instalaram-se mais de 20 caixas que emitiam vídeos interactivos com o objectivo de dar a conhecer aos clientes a nova linha lançada pela óptica no mercado. Para breve estão previstas mais iniciativas do género, pois já se encontram em marcha negociações para chegar a um acordo para futuras acções de bluetooth marketing, garante o responsável.

O optimismo em torno do bluetooth marketing encontra-se patente no aparecimento de empresas que têm como grande expectativa verem os anunciantes recorrerem de forma sistemática aos seus serviços. É o caso da Blue Harbour, oficializada em Março, que está a prever fechar parcerias com um clube de futebol, um centro comercial e com uma empresa de transportes públicos para instalar “redes fixas” de emissão de conteúdos publicitários.

Até à data, a empresa dirigida por Miguel Botelho de Barros conta com vários circuitos para fazer chegar os conteúdos dos anunciantes. São as chamadas redes exteriores, previamente definidas, que contemplam a zona exterior de centros comerciais, praias, locais nocturnos e a entrada das principais estações de metro e de comboio de Lisboa e do Porto. Para esses locais são deslocadas promotoras que transportam a caixa emissora de conteúdos e um suporte comunicacional constituído por uma placa redonda que identifica a marca promotora, com uma frase a convidar todo o público a activar o seu bluetooth. A empresa já desenvolveu, entre outras, a acção de lançamento do Meo e a promoção da novela Rebelde Way e do programa dos Gato Fedorento para a SIC. “A taxa de resposta de recepção que temos tido tem sido bastante interessante. Temos uma janela que está a variar entre os 33 por cento e os 78 por cento”, refere Botelho de Barros.

O maior impacto foi conseguido para a Nespresso, por altura da abertura da nova loja na Avenida António Augusto Aguiar, em Lisboa. No Chiado, dentro e fora da boutique, os clientes recebiam um gif animado a anunciar a inauguração. Este tipo de abordagem prova, segundo Miguel Barros, que “a preocupação dos anunciantes é cada vez mais chegar junto dos consumidores”. “Consegue-se chegar de uma forma muito mais directa recorrendo a estas plataformas tecnológicas. É impossível qualquer pessoa sair de casa sem o telemóvel, e este consegue concentrar tudo. Eu penso que os anunciantes já perceberam que, tendo as pessoas menos tempo para tudo, conseguem chegar aos consumidores de forma eficaz através destes dispositivos”, acrescenta.

Quem está neste ramo garante que uma das vantagens destas acções é não serem intrusivas para os consumidores, que têm a liberdade de rejeitar as mensagens enviadas através do canal bluetooth. Mas não só. Ao contrário de meios como a imprensa, a capacidade de medir o retorno das campanhas é mais elevada. No final de cada campanha é possível calcular a taxa de resposta, o número de mensagens enviadas, o número de mensagens falhadas, assim como o tráfego por hora e por dia. “E no limite conseguimos dizer quais foram as marcas e os modelos dos telemóveis que foram impactados”, refere.

Com tantos atributos, estarão os anunciantes portugueses receptivos a esta “inovadora” forma de comunicar com o público? Miguel Barros refere que depende dos anunciantes, mas em termos genéricos a curiosidade ainda é o factor determinante. “Penso que por ser um suporte novo e estar ligado às novas tecnologias, os anunciantes ainda estão a experimentar para ver qual a eficácia do meios. Só daqui a um ou dois anos é que podemos responder a essa questão. Cá, ainda não há números. Portugal adere muito às novidades. Mas uma coisa é experimentar, outra é o meio ficar como ferramenta ou como um canal utilizado no dia-a-dia”, explica. No caso da Blue Harbour, a adesão das marcas à instalação das redes fixas será fulcral para dar uma resposta às incertezas próprias de um mercado ainda em fase embrionária. “Durante o ano de 2009 é que vamos poder ter a resposta à questão se esta passará uma ferramenta de comunicação utilizada normalmente pelos anunciantes. Nas redes fixas, se a reacção do público for boa, vamos estar em condições de dizer que chegamos a uma nova forma de comunicar e de chegar junto do público”, diz o director-geral da empresa.

Já Frederico Cardoso acredita que o marketing será a forma de pôr as pessoas a utilizarem uma ferramenta de comunicação há muito disponível mas ainda mal explorada. “Até ao momento as pessoas não têm visto grande utilidade no bluetooth. Logo, estão à espera de algo que as faça aderir a este dispositivo. As acções de marketing serão a forma de colocar as pessoas a utilizar algo que já têm em mãos e que ainda não estão a utilizar”, afirma. E encara esta como uma das formas das marcas fazerem chegarem as suas mensagens aos públicos certos: “É uma ferramenta que permite conseguir fazer chegar os conteúdos às pessoas que interessam: aquelas que têm telemóvel e sabem o modo de funcionar do bluetooth”.

A adesão ao bluetooth não é um exclusivo das marcas. A Webeffect, além de ser fornecedora de agências como a Excentric, está envolvida num projecto para a junta de freguesia de São Nicolau, em Lisboa. Trata-se de espalhar caixas por aquela zona da baixa lisboeta para transmitir informações de interesse turístico e cultural. A empresa, que também já forneceu os seus serviços a empresas como a agência Abreu, está em fase de acordo para estender as caixas transmissoras aos municípios de Almada e das Caldas da Rainha. Quem ficará a beneficiar com a difusão do projecto são os utilizadores. É que, como diz João Paulo de Almeida, sócio da empresa, à medida que a rede aumenta, as pessoas que desfrutam deste serviço terão acesso à informação das várias actividades culturais ocorridas um pouco por todo o país. Ou seja, no futuro toda a informação de que precisa poderá estar disponível no seu bolso.