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Opinião :: Editorial

Diferenças entre o discurso e a prática

28 de Novembro de 2008 às 09:30:06, por Rui Oliveira Marques

No final do ano passado, ainda se respirava algum optimismo, em Portugal. Durante o semestre em que o país ocupava a Presidência da UE, Lisboa foi uma porta giratória para os líderes mundiais. Assinou-se o Tratado de Lisboa, ao mesmo tempo que arrancava uma mega campanha para promover o novo posicionamento do país – o Europe’s West Coast. Para começar, as cidades de Lisboa e Porto foram ocupadas por grandes formatos com caras de portugueses que melhor representavam o país e que tentavam motivar os “nativos” para a inovação e a criatividade. A campanha foi alargada, nas semanas que se seguiram, a vários países. O que se passou entretanto? Bem, a vida correu bem aos protagonistas da campanha. Cristiano Ronaldo ganhou a Bota de Ouro, Nelson Évora e Vanessa Fernandes receberam medalhas em Pequim, a carreira de Mariza está de vento em popa e Mourinho foi para o Inter. Menos sorte teve o conceito Europe’s West Coast. Aquando da sua apresentação, foram anunciadas mais duas etapas. No primeiro trimestre de 2008 iria ser direccionada para o turismo, para depois, numa última fase, servir para captar investimento estrangeiro. Deu por alguma coisa? Soube-se agora que quase metade do orçamento da Europe’s West Coast – mais precisamente 46 por cento – foi gasto em Portugal. Percebe-se agora o que na altura muitos suspeitavam: tratou-se de uma acção de propaganda para consumo interno. Não houve qualquer projecto integrado que sustentasse o tal posicionamento nos próximos anos. É nestes momentos que se percebe que o país precisava de um director de marketing. Se não cumprisse os objectivos, o conselho de administração despedia-o logo. É que um governo e institutos associados são incapazes de implementar, de uma forma séria e duradoura, um projecto desta dimensão.

Há dois anos e meio João Barroqueiro, presidente da TBZ, dizia, sem modéstia, ao M&P: “Queremos ser líderes absolutos”, sublinhando que em 2009 pretendia dominar o mercado espanhol. Nas últimas semanas a empresa de licenciamento e merchandising deixou negócios, renegociou contratos, saiu de Espanha e pretende aplicar um plano de recuperação financeira. Este caso evidencia o fosso entre o que as empresas dizem que são e o que realmente são. Em Setembro, José Simão, administrador da TBZ, explicava a propósito da feira que entretanto estava a terminar: “A Expo Saragoça representou uma enorme vitória e um enorme desafio para a nossa empresa. Uma vitória porque concorremos com empresas de diferentes nacionalidades e fomos os escolhidos. A Expo Saragoça concentra em si a atenção não só dos espanhóis mas de todo o mundo, o que ainda se torna mais desafiante”. Agora é noticia que a ExpoAgua, entidade organizadora da Expo Saragoça, e umas 30 empresas puseram a TBZ em tribunal por incumprimento nos pagamentos. A TBZ entrou na lista de empresas portuguesas constituídas por três letras que têm um fim indefinido à vista.

Na última edição foi referido incorrectamente o nome do responsável máximo pela Cupido, Gonçalo Morais Leitão. Aos leitores e ao visado, as nossas desculpas.