A publicidade transformou-se num dos principais males do mundo moderno. Ao que parece, a obesidade, principalmente a infantil, o endividamento das famílias, o excesso de consumo de álcool, o sexismo, a homofobia e o próprio consumo desenfreado têm como catalizador a publicidade. E para cada problema da sociedade cria-se uma limitação com vista à higienização da comunicação persuasiva. Foi assim para o tabaco e para o álcool, os produtos calóricos já estão sob vigilância apertada e os produtos financeiros, no caso português, deverão ser o próximo segmento a ver a sua publicidade questionada. Perante uma crise financeira internacional com um impacto no quotidiano ainda por avaliar, o problema do endividamento das famílias portuguesas volta a estar em cima da mesa. Será a publicidade a responsável pelos erros de cálculo que estão a atormentar uma assustadora maioria de portugueses? O Banco de Portugal quer aplicar um conjunto de regras que pretendem ajudar a descodificar as mensagens publicitárias. Silva Lopes, antigo governador do Banco de Portugal e antigo presidente do Montepio, já tinha dito em entrevista à Rádio Renascença que era necessário disciplinar a publicidade bancária de forma a não permitir falácias como os spreads zero. João Salgueiro, presidente da insuspeita Associação Portuguesa de Bancos, referiu à TSF que o endividamento era estimulado pela publicidade. Com este enquadramento, a comunicação dos bancos será obrigada a adoptar novas regras. É verdade que alguns embrulhos com que a banca apresenta os produtos criam expectativas exageradas. Só por isso, o assunto merece reflexão por parte dos agentes da comunicação. No entanto, há outro debate que deve ser feito e que deverá incidir sobre as marcas de crédito ao consumo que ocupam as páginas da imprensa popular e as manhãs e as tardes da televisão. Quem vê os anúncios não se apercebe de que a facilidade na obtenção do crédito é proporcional à taxa de juro cobrada. É uma comunicação muito pouco honesta.