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Cronistas

A rádio em 2018 (9)

26 de Setembro de 2008 às 09:30:02, por Meios & Publicidade

São precisos novos conteúdos digitais

por João Paulo Meneses,

Porque se trata de uma hora com custos de produção nulos e porque a interactividade está na moda, a verdade é que os dois canais de televisão de notícias no cabo têm vários programas com chamadas telefónicas de telespectadores; trata-se do programa mais antitelevisivo que existe, da negação da própria televisão, mas o modelo radiofónico foi importado quase sem adaptações (na RTP N, recentemente, limitavam-se a reproduzir o programa da Antena 1…).

Estamos perante um exemplo de como os conteúdos não podem passar de formato para formato sem adaptações consistentes.

Cada meio tem a sua linguagem, as suas exigências e as suas condicionantes. Um bom programa de rádio não pode ser um bom programa de televisão.

Um outro exemplo: um relato radiofónico de um jogo de futebol não serve na televisão.

Ora o que a rádio tem feito é passar os seus conteúdos para um novo suporte chamado internet. Limita-se a reproduzir os programas analógicos no novo meio digital. Resultado: há falta de entusiasmo com o que é oferecido na internet.

A rádio – em Portugal, por exemplo – limita-se ao «simulcasting», em vez de procurar conteúdos adaptados ao novo meio, que incorporem as características essenciais da internet. Se a interactividade é uma das marcas essenciais do novo meio digital, é preciso que as páginas das rádios na net permitam não só a interactividade mas também a escolha, a personalização e mesmo a produção (sim, o culto do amadorismo).

Há, claro, explicações do que está a suceder: a falta de compreensão relativamente ao novo meio (por questões geracionais e pela própria novidade) e sobretudo uma aposta errada nos suportes.

A rádio, em geral, continua a pensar mais em suportes do que em conteúdos, quando se sabe que os ouvintes não querem saber de suportes; querem uma rádio o mais ubíqua possível e querem conteúdos que vão ao encontro dos seus interesses (que os entusiasmem). No FM, no DAB, no satélite ou na internet é igual. A questão é que, à excepção da internet, todos os outros suportes são transitórios e datados.

Se a internet é o futuro, então é preciso dar o passo em frente: deixar de replicar os programas que passam no FM e criar conteúdos que se casem com as características do mundo digital.

PS – As restantes oito crónicas em ipodgeneration.blogsome.com

Jornalista da TSF e investigador

blogouve.se@gmail.com