por João Paulo Meneses,
A Internet foi o primeiro meio a nascer à margem das indústrias mediáticas, seja a editorial seja a da publicidade. A Internet foi subestimada por qualquer uma destas indústrias e hoje ambas – mais a primeira do que a segunda – pagam essa factura.
Poderia ter sido diferente? Poderia a net ter nascido de outra forma, sem uma marca tão forte de gratuitidade e tão pouca tolerância à publicidade?
Talvez seja impossível dizê-lo. Nem é – nesta altura – relevante.
A realidade é esta: estas indústrias ainda não encontraram uma forma de fazer associar conteúdos com publicidade na Internet.
O modelo clássico parece não servir nesta nova realidade.
E, contudo, aquela que era a grande dúvida de há alguns anos parece hoje – finalmente –ultrapassada, a de que as pessoas não iriam aderir à Internet; apontavam-se números que mostrariam alguma lentidão, esquecendo que foi esta a tecnologia mais rápida da história a atingir 50 milhões de utilizadores, convocava-se repetidamente o exemplo da «bolha» das dotcom que rebentou na década de 90 e afirmava-se a alegada resiliência dos meios clássicos.
Também esse tempo passou. Felizmente.
Há cada vez mais gente a navegar na Internet – seja por obrigação seja por entretenimento – e haverá cada vez mais.
Não é a publicidade que procura estar onde está o público? Os públicos estão na net. É só uma questão de saber quanto tempo mais continuarão a hesitar (é preciso investir em novas estratégias, pensar a publicidade de forma diferente em função de uma nova mentalidade, a da Internet).
A publicidade, que se habituou a ser intrusiva, tem de ser mais ética, tem de pedir «licença», não pode impor-se contra a vontade dos consumidores.
«Importa-se de ver este anúncio? Muito obrigado.»
Há cada vez menos conteúdos pagos na net.
Para certos nichos poderá funcionar, mas já se percebeu que não será esse o modelo dominante.
Para continuarem a ser gratuitos, têm de viver da publicidade. Mas a publicidade ainda está de costas viradas para a Internet. Talvez à espera da adesão massiva, para se transferir.
Veja-se por exemplo quantos podcasts têm publicidade? Qual é a publicidade interessada em patrocinar canais só na net?
Não vos posso dizer qual será o modelo de negócio que vai viabilizar as indústrias mediáticas na Internet. Mas sei que quanto mais tempo passar sem que haja investimento, mais gente se desabituará a consumir conteúdos dependentes da publicidade.
Depois custará mais.
Depois será tarde de mais?
Jornalista da TSF e investigador