Saltar o menu e ir para os conteúdos
Opinião :: Editorial

Vida suburbana

27 de Junho de 2008 às 12:00:14, por Rui Oliveira Marques

O Starbucks, rede de cafés implantada nas principais capitais do mundo, vai chegar em breve a Lisboa, ou melhor, a Alfragide. A cadeia de cafés, que sempre se posicionou como o terceiro local na vida dos consumidores, ao lado da casa e do local de trabalho, deve ter-se rendido à realidade dos espaços comerciais e hábitos de vida dos portugueses. A primeira loja não vai abrir em qualquer artéria movimentada da capital, mas num novo centro comercial da periferia. A segunda loja deverá localizar-se noutro centro comercial, desta vez o Dolce Vita da Amadora. Só esta superfície comercial, a abrir no último trimestre de 2008, mesmo a tempo das compras de Natal, vai ter espaço para nove mil lugares de estacionamento, para garantir acesso, via automóvel, às 280 lojas de média dimensão, 15 lojas âncora e 30 restaurantes. Um metro de superfície está garantido com paragem à porta, para quem não quiser ou não puder deslocar-se na própria viatura. No fundo, não é nada de diferente do que se tem passado nas últimas décadas em todas as cidades de grande e média dimensão do país. O acesso às lojas e cadeias mais contemporâneas só é feito através dos centros comerciais. Muitas das principais ruas das cidades portuguesas, sujas, esburacadas e tristes, estão deixadas ao abandono. As marcas não têm alternativa a não ser ir para espaços onde está assegurado o tráfego de pessoas que garanta o sucesso dos seus espaços comerciais. Os centros das cidades estão a desertificar-se, a envelhecer e até os serviços estão a deslocalizar-se para a periferia. Basta olhar para o caso de Lisboa, para perceber que o comércio de rua é ultrapassado pelo de qualquer outra cidade europeia da mesma dimensão. Se serve de consolo, os centros comerciais nacionais não param de ganhar prémios de qualidade. Percebe-se, know how não nos falta.