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Cronistas

A rádio em 2018 (6)

13 de Junho de 2008 às 12:30:59, por Meios & Publicidade

por João Paulo Meneses,
Convergir na recepção

Ninguém comprará um rádio, previa na última crónica. E ninguém comprará apenas um rádio porque se já vivemos hoje numa lógica de convergência, isso será muito mais evidente com o passar dos anos. Ou seja, o reconhecimento dos canais de distribuição será irrelevante, o mesmo é dizer não faremos a distinção de meios em função de características (áudio na rádio, texto na imprensa, etc.). Estará tudo na internet ou nos telemóveis. Basicamente.

A recepção daquilo que hoje conhecemos por rádio far-se-á como?

Enquanto existir a transmissão analógica poder-se-á fazer – pelo menos nas situações de consumo passivo – num receptor FM, mas estes estarão condenados ao museu.

Numa fase seguinte prevalecerá a transmissão wireless (wiMax?) de um fluxo “streaming”, único (da rádio de palavra, sobretudo) ou numa lógica de personalização de conteúdos assíncronos (playlists, perfis, podcasts, etc. – tanto quanto a nossa imaginação conseguir conceber).

A recepção, nesse caso, irá confundir-se com o computador, seja numa vertente PC seja PDA ou o simples telemóvel.

Os próprios rádios wireless que começaram há anos a aparecer, para escuta dos milhares de rádios online, têm também os dias contados, se não se transformarem em ferramentas mais úteis para quem os adquire – o ex-futuro rádio-despertador foi o antecessor desta lógica utilitária de convergência.

Não espantará que na mesa-de-cabeceira, ao acordar, passemos a ter um aparelho convergente que, além nos despertar, nos dê a música que previamente seleccionamos, podcasts com as notícias sobre o assunto que queremos ouvir, o vídeo mais importante da noite ou até… rádio (como fluxo único e convencional).

Comprar um rádio para quê?

No carro acontecerá a mesma coisa, mas isso é tema para a próxima crónica, daqui a um mês.

Uma nota mais: já se percebeu que teremos excesso de oferta. 30 ou 40 mil “streamings” sonoros, por exemplo, à espera da nossa escuta. Como resolver? A resposta está no Google. Quanto maior a oferta mais necessidade haverá de controlar a escolha. O consumo será mais activo, porque exigirá mais de nós, mas parece-me que tão importante como ter os conteúdos é conseguir controlar essa escolha, de modo a que o consumidor consiga… consumir.

E esse controlo terá de ser feito na recepção, no receptor, qualquer que ele seja.

Jornalista da TSF e investigador

blogouve.se@gmail.com