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Regresso à escola

16 de Maio de 2008 às 12:14:36, por Maria João Lima

Entre 10 e 40 vagas, em horário laboral ou pós-laboral, mais práticos ou mais teóricos, há um pouco de tudo quando se fala de formação para profissionais. Conheça os cursosPara quem quer voltar a estudar, não faltam aos profissionais das áreas do marketing e da publicidade opções no que toca a cursos e escolas. Desde cursos intensivos de cinco dias a cursos de especialização ou mestrados em dois anos, existem opções para todas as bolsas.

No caso da Lisbon Ad School, que tem os cursos de Account and Brand Management, Copy e Art Direction, o estudante-tipo “é um recém-licenciado que procura formação específica”, refere Frederico Arouca, director da escola. Há também pessoas que querem mudar de área e algumas que querem apenas ter conhecimentos específicos, acrescenta.

No caso do GIEM-ISCTE, são os quadros, gestores de empresas e executivos das áreas de marketing, comercial e vendas os profissionais que mais voltam aos bancos de escola. Na opinião de Vicente Rodrigues, presidente dessa instituição, os profissionais ao regressarem à escola conseguem uma ligação teórico-prática da realidade profissional com a teoria e experiência dos docentes e dos colegas que frequentam o curso. “Aprofundar conhecimentos, tomar contacto com o conhecimento avançado e a investigação desenvolvida na universidade numa lógica de aplicabilidade ao seu dia-a-dia” é outra das vantagens do ponto de vista do mesmo profissional.

Já a ETIC é procurada por pessoas que querem uma especialização numa área e que visam completar os seus estudos com o conhecimento prático e altamente qualificado, diz Nuria Ferrão, assistente da direcção de marketing e comunicação da ETIC. “Essas áreas estão ligadas à comunicação e à indústria de conteúdos”, refere. São muitas vezes jovens que frequentam estudos superiores ou que pretendem complementá-los com áreas de especialização. Outras vezes são profissionais no activo que vão fazer um refresh em determinadas ferramentas, optimizando os seus skills técnicos e criativos.

“Com a velocidade das mudanças no mundo, tecnológicas e não só, a constante actualização é a chave do profissional de sucesso. E isso está patente não apenas na quantidade de alunos que voltam à escola mas também nas sessões de formação que levamos a cabo dentro das próprias empresas”, explica Nuria Ferrão. Segundo esta profissional, alguns alunos também voltam à escola para encontrar outro caminho, mudar de área ou melhorar um hobby.

Os mestrados da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS) em audiovisual e multimédia, gestão estratégica das relações públicas, jornalismo e publicidade e marketing destinam-se a estudantes que concluíram o 1º ciclo e a profissionais que pretendam aprofundar competências profissionais e de investigação nestas áreas da comunicação. Os estudante-tipo são ex-alunos da ESCS ou licenciados de outras instituições, normalmente com experiência profissional. Com esta formação, os profissionais que já estão no mercado actualizam e aprofundam os conhecimentos e adquirem novas valências profissionais, defende também Sofia Santos, responsável pela manutenção do gabinete de comunicação da ESCS.

Elisabete Antunes, assessora da direcção do IPAM, explicou ao M&P que cada programa desta instituição é desenhado para que os estudantes adquiram, para além dos conhecimentos, competências e capacidades indispensáveis ao desempenho da sua actividade profissional. Como tal, diz, “quem frequenta os nossos cursos são estudantes que necessitam de uma visão académica tal como de uma visão profissional, da formação que corresponde às necessidades e tendências do mercado”.

Na opinião de Elisabete Antunes é relevante, com os constantes desafios diários, que um profissional prossiga a sua formação, seja ela numa vertente académica ou numa vertente executiva. O imprescindível, segundo esta responsável, é que um profissional se mantenha “competitivo no mercado”, e para tal só o conseguirá através da formação. E acrescenta que isso só é possível adquirindo novos conhecimentos e novas formas de actuar. “De apreender o saber-saber, o saber-fazer e o saber-ser e aplicá-lo diariamente na sua função. É de extrema relevância não só para a sua eventual progressão de carreira, como também para um reconhecimento das suas reais competências”, assegura.

Comparticipação das empresas

Muitas empresas, quando estão a tentar cativar um colaborador para as suas fileiras, acenam com a cenoura da formação. Mas quando chega a hora da verdade, nalguns casos, as burocracias multiplicam-se. Ou é porque a área não é muito estratégica para a empresa ou porque o curso excede o plafond ou ainda porque não é compatível o horário da formação com as funções desempenhadas. Resultado, muitas vezes quem quer estudar tem de pagar os custos da formação do seu próprio bolso. No caso da Lisbon Ad School os cursos são pagos na maioria pelos próprios, havendo cerca de 20% dos casos pagos pelas empresas onde os alunos trabalham.

No caso do IPAM, “existem muitas empresas que já financiam a formação aos seus colaboradores, o que representa o caso sobretudo dos nossos alunos que frequentam Programas Académicos em regime pós-laboral, e dos que frequentam os nossos Programas Executivos”, refere Elisabete Antunes. No entanto, na maioria dos casos, os cursos são pagos através de recursos pessoais, ressalva.

Também no caso do GIEM-ISCTE, a situação verificada é de uma maior percentagem de alunos a pagar os próprios cursos. Apesar disso, também aqui há algumas empresas a pagarem o curso integral ou parcialmente, diz Vicente Rodrigues.

A ETIC não foge à regra e tem maioritariamente alunos que pagam as suas próprias propinas. Mas, revela Nuria Ferrão, e aqui parece haver a possibilidade de uma nova tendência para as escolas poderem apostar no futuro, “cada vez temos mais empresas a solicitar acções de formação dentro das suas instalações para os seus colaboradores”.

O fim da teoria

E o debate sobre os cursos demasiado teóricos com pessoas saídas para o mercado de trabalho, com fracos conhecimentos práticos está longe de estar terminado. “Os nossos cursos são 95% práticos e foi essa a escolha desde o início por considerarmos que o ensino universitário é muito teórico”, explica Frederico Arouca. E acrescenta que “em certas áreas como a que nos inserimos faz mais sentido a formação prática”.

Também os cursos da ETIC são essencialmente práticos. “Cada vez mais o saber fazer é a base da diferenciação. Não nos serve de nada ter coisas teóricas quando o mercado pede às pessoas para saberem pensar e executar”, diz a responsável da ETIC. Mas como não existe prática sem teoria, esta também existe representando apenas 15% da formação. “Todo o enfoque está na vertente de aplicação prática porque é isso que faz as pessoas saberem trabalhar”, explica.

Segundo Sofia Santos, a componente prática assume uma grande importância na ESCS, permitindo que os alunos façam a ponte entre os saberes teóricos e práticos, o que possibilita um contacto mais próximo com a realidade profissional.

Segundo o responsável do GIEM – ISCTE, os cursos desta escola “são uma simbiose entre a teoria e a prática onde se aplica uma metodologia de forte interacção com a realidade empresarial”. Segundo esse responsável, a interacção permite a valorização de conhecimentos e competências profissionais e pessoais e uma efectiva aposta em temas e conteúdos inovadores e capazes de desenvolver atitudes pró-activas nas empresas ou organizações a que pertencem os alunos.

O IPAM reconhece também a importância dos ensinamentos práticos. Daí que a escola tenha decidido institucionalizar e baptizar o modelo de ensino como Método SIM = Sala + Internet + Mercado.

Comunicar para comunicólogos

Um dos desafios que se colocam às escolas é como comunicar a existência dos cursos junto dos profissionais da comunicação e do marketing. É que convencer pessoas que ganham a vida a tentar convencer os outros dos mais diversos aspectos não é pêra doce já que usam e abusam de todas as manhas nas suas profissões…

A comunicação dos mestrados da ESCS é feita através de comunicação interna, da base de dados dos ex-alunos, “que permite um contacto constante”, de marketing viral, do site www.escs.ipl.pt e de publicidade pontual na época de candidatura. No caso da publicidade privilegiam dois ou três jornais nacionais. Para dar a conhecer os seus cursos também o GIEM-ISCTE opta pela colocação de anúncios em jornais e revistas da área.

Já a ETIC diz que a sua comunicação é constante ao logo do ano, através dos canais online, da presença em eventos de grande dimensão, bem como através da comunicação mais tradicional como cinema, imprensa e exterior. O objectivo, refere Nuria Ferrão, “é manter a marca activa, mas acima de tudo presente nos momentos de decisão de compra”.

No caso da Lisbon Ad School, a comunicação “é feita através da divulgação das acções que levamos a cabo ao longo do ano”, diz Frederico Arouca. E remata: “Num mercado publicitário completamente saturado, procuramos ser conhecidos pelos nossos actos.”