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Opinião :: Editorial

Condições de Trabalho

9 de Maio de 2008 às 09:30:11, por Rui Oliveira Marques

Na mesma altura em que o governo propunha mudanças ao Código de Trabalho, chegavam-me, através de pessoas próximas, histórias mais frequentes neste sector do que se imaginaria. Entre elas estão os casos de técnicos que aguardam por pagamentos de filmagens em que colaboraram há mais de um ano. Outra é um lugar de account sénior numa agência de comunicação, remunerado a 600 euros líquidos, a recibos verdes por um período de seis meses. Há ainda o processo de selecção que envolvia várias empresas em que os candidatos, distribuídos por dois dias, tinham apenas cinco minutos para mostrarem o que valiam. O cenário dava para fazer um reality show. São apenas três exemplos, mas mostram o outro lado do mercado, com profissionais de valor que não têm oportunidades à vista. Ao percorrer as páginas das publicações económicas e especializadas raramente se encontram referências à realidade laboral de muitas destas empresas que alimentam o noticiário, demasiadas vezes pontuado pelo sucesso. Numa época em que o marketing passou a incorporar a responsabilidade social como um pilar das empresas, não ficava mal aos players prestarem atenção à forma como os colaboradores das empresas que contratam são remunerados.Esta quarta-feira decorreu a 10ª edição do festival do Clube de Criativos. Não foi entregue nenhum ouro em televisão, com excepção da área de causas sociais, e em imprensa só se viu um ouro. Só isto mostra a forma como os próprios criativos avaliam o trabalho que as agências estão a colocar na rua. O grande prémio acabou por ir para um projecto integrado da Action 4 Ativism para a Vodafone. É a primeira vez que o festival distingue um trabalho com estas características. Aliás, as restantes áreas da comunicação parecem estar bem melhores. Na próxima edição explicaremos porquê.