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Cronistas

A rádio em 2018 (5)

9 de Maio de 2008 às 09:30:11, por Meios & Publicidade

Ninguém comprará um rádioA internet está a mudar tudo, seja ao nível dos conteúdos, seja também quanto à distribuição desses mesmos conteúdos.

Uma das consequências inevitáveis é, previsivelmente, a perda de reconhecimento quanto aos suportes: a convergência e o fim das barreiras clássicas farão com que tudo esteja disponível em tudo – deixaremos de, com esta clareza na separação, ouvir rádio, de ver televisão, de ler jornais.

Até agora a distribuição era relevante, havia investimento das marcas e dos meios e reconhecimento por parte dos “clientes”.

Com a digitalização, o conceito de distribuição dilui-se. Será tudo digital.

Antes sabíamos que determinado cronista estava no jornal, naquele dia, que aquela rádio transmitia os relatos de certo clube ou que um programa de humor em concreto estava naquela televisão e não noutra, naquela hora.

Essa ideia de “exclusividade” obrigava-nos a conhecer os canais de distribuição e a tentar alguma complementaridade entre canais: as notícias na rádio de manhã, o jornal depois, as imagens à noite na televisão.

A internet muda tudo, como se percebe.

Se eu ligar o computador antes de sair de casa posso – e poderei cada vez mais – ouvir, ler e ver tudo. É uma rádio? É um jornal? É uma televisão? É a internet. E a internet é ubíqua.

Por isso é que é vital estar com todas as ferramentas possíveis e imaginárias na internet (e com múltiplos canais). Porque, como já se percebeu, a convergência é implacável. A concorrência é global. E a (nova) distribuição é de tal maneira ubíqua que se tornará – nomeadamente para as gerações mais novas – uma espécie de prolongamento da nossa própria vida. Tão natural como respirar.

A especialização é possível – se calhar até desejável – mas não ao nível da distribuição. A distribuição tem de ser global: o “site” do Meios & Publicidade será o melhor até que a concorrência passe a oferecer som, vídeo, bons arquivos, textos em vários formatos, infografia, etc.

Nessa altura, não será o “site” o prolongamento da edição em papel, como hoje acontece, mas o contrário – e se não dei um exemplo relacionado com a rádio é porque a rádio daqui a 10 anos será cada vez menos reconhecida como rádio.

Ninguém vai querer saber da distribuição.

Ninguém vai comprar um (receptor de) rádio.

João Paulo Meneses Jornalista da TSF e investigador

blogouve.se@gmail.com