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Cronistas

A rádio em 2018 (4)

11 de Abril de 2008 às 09:30:52, por Meios & Publicidade

por João Paulo MenesesEles querem tudo

O grande problema da rádio em 2018 * é que dificilmente continuará a ser rádio – com tudo o que isto significa quer para os actuais operadores quer para a indústria adjacente (publicitária e tecnológica) quer, finalmente, para os ouvintes mais velhos.

Como tenho tentado demonstrar, o consumo será cada vez mais activo e, a partir do momento em que a rádio sai dos espartilhos actuais (uma única emissão pensada e organizada por um e dirigida para muitos), já não será mais rádio.

A digitalização proporciona (incentiva…) a convergência tecnológica e as barreiras clássicas esbatem-se até desaparecerem. Por isso, há jornais que apostam em áudio ou mesmo programações organizadas tipo-rádio ou rádios convencionais que oferecem edições que se podem imprimir – isto para referir apenas casos a partir dos operadores clássicos.

Mais partido estão a tirar os novos operadores, que operam digitalmente, seja no cabo (oferecendo canais próprios de música, por exemplo), sejam os operadores de telemóveis, seja directamente na Internet.

A confusão que isto está a provocar nas tais gerações a partir dos quarenta anos é inversamente proporcional ao que acontece com os mais novos: para eles quanto mais multi-funções melhor! Por isso ouvem música enquanto estão no msn, param o visionamento de um vídeo (ou mesmo de um programa de televisão, se o tiverem gravado no disco duro) para atender o telemóvel ou ouvem o mp3 enquanto estão nas aulas…

(a rádio convencional, que sempre foi o meio de excelência do multitasking, pode tirar algum partido desta experiência).

A partir do momento em que os (novos) consumidores querem tudo, a qualquer hora e a qualquer momento, a única resposta dos operadores – sobretudo dos clássicos – é dar-lhes tudo. A noção de concorrência – já o disse – pulverizou-se; as páginas online da RTP, da SIC, do Jornal de Negócios ou do Público são concorrência da TSF! Tudo é vice-versa. E se o consumidor não encontra o que quer, irá procurá-lo noutro lado. Como sempre aconteceu? Não. Nunca foi tão fácil como agora encontrar alternativas. Estão no Google.

Os operadores que resistirem, que não incorporarem, que não convergirem na oferta diversificada de conteúdos, têm os dias contados – os meios analógicos, sobretudo os jornais, já estão a experimentar esse amargo.

Tudo isto tem também uma inevitabilidade: a perda de importância da distribuição analógica (hertziana), em detrimento das duas novas e omnipresentes plataformas: a Internet e o telemóvel.

Acabou o tempo em que a indústria pensava ‘eles consomem o que lhes dermos’ (tradução livre da máxima norte-americana ‘if you build it, they will come’).

Eles não só consomem mais do que temos para lhes dar, como não querem tudo o que lhes dermos…

Repito aqui o que escrevi na primeira crónica desta série; 2018, daqui a dez anos portanto, é uma referência. Pode ser depois, claro. Mas não muito depois…

As crónicas, além da página do Meios & Publicidade, estão compiladas em
ipodgeneration.blogsome.com
Jornalista da TSF e investigador

blogou

por João Paulo Meneses

 

Eles querem tudo

 

O grande problema da rádio em 2018 * é que dificilmente continuará a ser rádio – com tudo o que isto significa quer para os actuais operadores quer para a indústria adjacente (publicitária e tecnológica) quer, finalmente, para os ouvintes mais velhos.

 

Como tenho tentado demonstrar, o consumo será cada vez mais activo e, a partir do momento em que a rádio sai dos espartilhos actuais (uma única emissão pensada e organizada por um e dirigida para muitos), já não será mais rádio.

 

A digitalização proporciona (incentiva…) a convergência tecnológica e as barreiras clássicas esbatem-se até desaparecerem. Por isso, há jornais que apostam em áudio ou mesmo programações organizadas tipo-rádio ou rádios convencionais que oferecem edições que se podem imprimir – isto para referir apenas casos a partir dos operadores clássicos.

 

Mais partido estão a tirar os novos operadores, que operam digitalmente, seja no cabo (oferecendo canais próprios de música, por exemplo), sejam os operadores de telemóveis, seja directamente na Internet.

 

A confusão que isto está a provocar nas tais gerações a partir dos quarenta anos é inversamente proporcional ao que acontece com os mais novos: para eles quanto mais multi-funções melhor! Por isso ouvem música enquanto estão no msn, param o visionamento de um vídeo (ou mesmo de um programa de televisão, se o tiverem gravado no disco duro) para atender o telemóvel ou ouvem o mp3 enquanto estão nas aulas…

 

(a rádio convencional, que sempre foi o meio de excelência do multitasking, pode tirar algum partido desta experiência).

 

A partir do momento em que os (novos) consumidores querem tudo, a qualquer hora e a qualquer momento, a única resposta dos operadores – sobretudo dos clássicos – é dar-lhes tudo. A noção de concorrência – já o disse – pulverizou-se; as páginas online da RTP, da SIC, do Jornal de Negócios ou do Público são concorrência da TSF! Tudo é vice-versa. E se o consumidor não encontra o que quer, irá procurá-lo noutro lado. Como sempre aconteceu? Não. Nunca foi tão fácil como agora encontrar alternativas. Estão no Google.

 

Os operadores que resistirem, que não incorporarem, que não convergirem na oferta diversificada de conteúdos, têm os dias contados – os meios analógicos, sobretudo os jornais, já estão a experimentar esse amargo.

 

Tudo isto tem também uma inevitabilidade: a perda de importância da distribuição analógica (hertziana), em detrimento das duas novas e omnipresentes plataformas: a Internet e o telemóvel.

 

Acabou o tempo em que a indústria pensava ‘eles consomem o que lhes dermos’ (tradução livre da máxima norte-americana ‘if you build it, they will come’).

 

Eles não só consomem mais do que temos para lhes dar, como não querem tudo o que lhes dermos…

 

Repito aqui o que escrevi na primeira crónica desta série; 2018, daqui a dez anos portanto, é uma referência. Pode ser depois, claro. Mas não muito depois…

 

As crónicas, além da página do Meios & Publicidade, estão compiladas em

ipodgeneration.blogsome.com

 

Jornalista da TSF e investigador

blogouve.se@gmail.com