Há pouco mais de 10 anos, vinha no carro com o Miguel Pais do Amaral, com quem trabalhava na Administração da TVI, e perguntei-lhe se me vendia o jornal Briefing. Tinha eu a intenção de iniciar uma editora de imprensa profissional e sempre senti que, para o fazer de uma forma consistente, deveria começar por uma publicação como o Briefing, dirigida ao sector da Publicidade, Marketing e Media.Sendo o Briefing a mais pequena de todas as publicações da Soci, acreditei que conseguiria fazer a aquisição, mas tal não foi possível porque o Miguel Pais do Amaral me disse que não, que não vendia, pois o Briefing era útil na relação com o mercado publicitário.
Pensei que essa era exactamente a razão pela qual deveria vender o Briefing e não mantê-lo, porque nunca poderia ser editorialmente independente face aos interesses do grupo onde se inseria e onde havia TV, rádio e imprensa.
Perante tal resposta, não tive dificuldade em compreender que faria falta ao mercado uma nova publicação, totalmente isenta e independente, livre de qualquer interesse.
E assim nasceu o Meios & Publicidade, a primeira publicação da Workmedia, que pretendi desenvolver para se tornar a maior editora portuguesa de informação económica sectorial.
Ao fim destes primeiros 10 anos, olho para trás e tiro algumas conclusões interessantes – que as coisas nunca correm tão bem como imaginámos, que as metas são sempre mais longínquas do que parecem à partida, que os bons projectos valem sempre a pena, apesar de às vezes não parecer, que o trabalho nos permite ultrapassar barreiras impossíveis, mas acima de tudo o que é preciso mesmo é acreditar, acreditar sempre.
Também aprendi que não precisamos de ser geniais, basta-nos ter bom senso e capacidade para trabalhar.
Que numa empresa o que mais vale são as pessoas e que, já que vamos passar com elas uma parte enorme de cada dia, então mais vale escolhermos pessoas agradáveis de se conviver.
Também aprendi que neste pequeno país e na nossa actividade, ou somos líderes ou não interessa. Só os líderes ganham dinheiro, e por isso depois do lançamento do Meios & Publicidade e de desenvolvermos o modelo de negócio correcto, arrancámos então para o crescimento, adquirindo as publicações líderes nos segmentos que escolhemos.
A Workmedia tem hoje publicações também na área do Turismo, Construção e Grande Distribuição, sempre aplicando o modelo que se iniciou com o Meios & Publicidade – jornal semanal, newsletter diária, revistas complementares, anuários e prémios do sector.
E o mais fantástico é sentir que, depois de passados os primeiros 10 anos e de atingidas as principais metas, nos encontramos novamente no ponto de partida.
É que os próximos 10 anos vão obrigar-nos a redefinir por completo todo o modelo de negócio! A evolução das TIs e consequente mudança nos hábitos de consumo de informação, colocam-nos perante este desafio, uma vez que a internet começa mesmo a ganhar uma preponderância sobre o papel e ainda não encontrámos solução para as receitas…
É uma questão que se coloca a todas as editoras, pelo mundo fora, mas talvez com maior incidência na nossa actividade de produção de informação económica, que se consome maioritariamente à secretária de trabalho e não nos momentos de lazer.
Daqui a 10 anos conto-vos como resolvemos a questão!
Obrigado a todos os que ajudaram ao desenvolvimento desta nossa Workmedia que tanto gozo nos dá.
Pedro Corrêa Mendes
Fundador e administrador da Workmedia, dirigiu o M&P durante alguns meses, em 1998