As novas tecnologias e as mudanças que se estão a operar na forma como se faz jornalismo estão a gerar apreensão na classe jornalística face ao seu futuro profissional. É o que mostra um estudo recente publicado nos Estados UnidosOs jornalistas estão cada vez mais receosos relativamente ao seu futuro profissional. É o que mostra pelo menos um estudo levado a cabo nos Estados Unidos. Os jornalistas estão pessimistas quanto ao seu futuro, questionando-se sobre o impacto do ritmo de crescimento das novas tecnologias sobre os seus empregos.
O estudo foi proposto pelo norte-americano Newspaper Guild, sindicato que representa funcionários da indústria de jornais nos EUA, e pela National Association of Broadcast Employees and Technicians, sindicato dos funcionários de radiodifusão, tendo sido conduzido online pelo Philip Merrill College of Journalism, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. De maneira geral, as respostas recolhidas demonstram apreensão face ao futuro da indústria produtora de notícias.
O estudo contou com respostas de 1.300 pessoas, o que inclui 975 jornalistas de imprensa, internet e radiodifusão. 62% dos inquiridos afirmaram recear a evolução nas exigências da parte da própria audiência. Por isso, muitos inquiridos questionam-se sobre o espaço que haverá para jornalistas profissionais no futuro. Um número significativo de jornalistas de imprensa (cerca de 43%) afirmou ter pouca confiança sobre se iria continuar a trabalhar num jornal dentro de cinco anos, e cerca de 30% mostraram-se neutros em relação a esta questão.
Também a evolução nas tecnologias está a preocupar os jornalistas sobre o futuro dos seus empregos. Cerca de dois terços concordaram com esta frase: “Estou ansioso sobre o aumento das exigências que recaem sobre mim para aprender e executar o meu trabalho com recurso a novas tecnologias”. 60% dos inquiridos afirmaram precisar de formação para executar o seu trabalho, principalmente com o volume a aumentar. E cerca de 50% garantiram conhecer pessoas que perderam os seus empregos devido às novas tecnologias. Mas há também dados positivos: 65% admitiram que as mudanças nas tecnologias lhes permite produzir trabalho de maior qualidade.
Contudo, a insegurança acaba por contribuir também para uma descrença quanto ao futuro dos valores da indústria. 94% dos profissionais inquiridos afirmaram que no início da carreira o rigor é importante, sendo que a percentagem desce para os 56% quando a pergunta é feita sobre a importância deste valor no futuro a cinco anos.
Hoje, a necessidade de gerar lucro e de atrair audiências mostram-se os valores mais importantes. 71% responderam que o lucro era um valor importante quando iniciaram os seus empregos, enquanto 96% afirmaram ser importante para a empresa dentro de cinco anos. Dos inquiridos, 56% eram do sexo masculino, sendo a média de idade de 46 anos. A maioria encontrava-se no actual local de trabalho há seis ou mais anos.
“Ninguém faz ideia para onde vai a indústria” diz Linda Foley, presidente do Newspaper Guild. Mas ao mesmo tempo, “ninguém que tenha prestado atenção ao que está a acontecer pode estar surpreendido com o pessimismo”, acrescenta Dean Thomas Kunkel, do Philip Merrill College of Journalism, e também presidente da American Journalism Review. “Não se trata de lutar contra a mudança. Os jornalistas querem é ajuda para mudar com inteligência e integridade jornalística. E, mais do que ver isso imposto, gostariam de ser consultados sobre as mudanças”.