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Media

O que eles valorizam nos recintos

7 de Março de 2008 às 19:59:31, por Filipe Pacheco

A escolha de um recinto para um evento depende dos objectivos e dos públicos que são definidos num briefing. Ainda assim, há espaços que, pela modernidade e flexibilidade das suas instalações, são encarados como as melhores opções pelos players do sector. Aliado a isso, a envolvente é encarada como uma variável determinante para a escolher o local apropriado onde será desenvolvido um eventoA qualidade dos recintos onde são organizados os eventos é uma variável determinante para o seu sucesso. Nesse capítulo, é consensual, junto dos profissionais contactados pelo M&P, a ideia de que a oferta tem vindo a aumentar não só em termos de quantidade como também ao nível da qualidade. Mesmo assim, e sendo a área de produção de eventos bastante alargada, a escolha do local está sempre dependente “do tema, do público-alvo e das condições para a produção do evento em causa”, começa por referir Manuel Fonseca, director-geral da Adereço. Todavia, e quando se trata de eventos de grande dimensão, quer pelos objectivos, quer pelo estilo que se quer incutir em cada projecto, a localização geográfica ainda é determinante na escolha das estruturas que oferecem as melhores garantias aos players do sector. Como explica Ana Bordalo, gestora de projectos da Touch Group, quando se pretende “escolher entre o design, o clássico ou o moderno é ainda em Lisboa, no Porto e no Algarve que se concentra a maior oferta de espaços para eventos com grande número de participantes”. Diferenças ainda mais notórias quando se trata de oferecer experiências diferenciadoras aos públicos. “No interior do país, onde a escolha se resume quase sempre a quintas com orientação e experiência na organização de banquetes, há maiores limitações na procura de espaços disruptivos”, diz. E explica: “Por vezes, eventos fora do formato habitual representam algum incómodo, especialmente pela forma como utilizamos o espaço. Ainda assim, temos tido muito boas experiências no interior de Portugal”.

Bernardo Alegra, director de eventos da Young Ad, unidade de negócio integrada no grupo Youngnetwork, elege e classifica o Pavilhão do Atlântico, o Campo Pequeno e o Pavilhão Arena, em Portimão, como alguns dos espaços melhor apetrechados para a organização de eventos de grande envergadura. A qualidade das acessibilidades e do parque logístico, as condições do parque de estacionamento, a boa acústica, bem como a capacidade para receber bons equipamentos são alguns atributos referidos pelo responsável pelos eventos do grupo Youngnetwork para justificar as suas escolhas.

Do lado do Touchgroup, que engloba a Refresh – Brand, empresa vocacionada para a organização de eventos de activação de marca e de motivação de equipas, Ana Bordalo diz que “a adequação das condições físicas do espaço aos objectivos e à linguagem do cliente, da marca e do evento estão, de forma geral, no topo dos critérios da empresa”. A acessibilidade, a compatibilidade dos níveis de serviço oferecidos, a possibilidade de interferir com as características do espaço ou a exclusividade desses locais com empresas que prestam serviços de audiovisuais e o catering são outros dos elementos que na sua opinião poderão fazer toda a diferença na escolha do espaço por parte da agência e do cliente. Mas, como explica, o facto da Touchgroup trabalhar “cada projecto de forma única” faz com que exista uma hierarquização dos diferentes critérios” consoante os eventos que organiza, o que “altera a ordem de importância dos factores de decisão”. E explica: “O nosso grande enfoque, enquanto agência de comunicação orientada para as questões de marca, prende-se com as possibilidades que cada espaço nos oferece e em poder transformá-lo numa experiência única de marca, sendo esse um factor de grande peso nas nossas apostas”.

Uma empresa com um posicionamento diferente nesta área é a Fadus. Especializada no desenvolvimento de conceitos de animação e espectáculos, a empresa liderada por João Pestana Dias não tem voz activa na escolha dos espaços onde se realizam os certames aos quais a agência acrescenta a sua criatividade. “Somos procurados por outras empresas ou empresas especializadas em organização de eventos, para fornecer conteúdos. A Fadus é consultada para dar respostas e soluções aos programas previamente definidos pelo cliente final”, explica João Pestana Dias. Embora a Fadus esteja vocacionada para acrescentar conceitos criativos aos eventos, João Pestana Dias não deixa de realçar que o “aproveitamento dos espaços para eventos, em Portugal, é feito de uma forma casuística, dependendo sempre de uma rentabilidade que os proprietários desses espaço pretendem obter”. Ainda assim, sublinha, a oferta crescente de espaços para eventos leva a que “comecemos a apercebermo-nos de uma maior especialização desses espaços, com o objectivo de receberem os mais variados tipos de eventos”, não deixando ainda de enfatizar o papel e o dever que os criativos devem ter na procura de novas soluções. Nessa medida, João Pestana Dias elege o Convento do Beato como paradigma da beleza, do design e da inovação ao nível dos ambientes. “É um espaço que preenche os requisitos para se fazer um excelente evento”, considera o director-geral da Fadus. Já ao nível da funcionalidade do espaço, a preferência recai sobre o Casino do Estoril e o Pavilhão Atlântico. E explica: “Estes, ao contrário dos primeiros, foram construídos vocacionalmente para o espectáculo e, naturalmente, não precisam de grandes adaptações para qualquer tipo de evento”. A definição dos objectivos que presidirão à escolha do espaço passa por saber o que “estamos a celebrar, mostrar, vender, expor, quantas pessoas estarão presentes ou ainda as pessoas que queremos que estejam presentes”, de modo a seleccionar o local mais apropriado, refere João Pestana Dias. Mesmo assim, acrescenta, o retorno mediático que o nosso cliente pretende para a realização do evento é fundamental para a escolha do local.

Já Manuel Fonseca, director-geral da Adereço, diz ser fundamental questionar, em primeiro lugar, o impacto que se pretende e o dinheiro que se dispõe para uma determinada iniciativa. “O resto passa por recolher as condições pretendidas para a sua realização, seja indoor ou outdoor”, sendo que os “meios técnicos e humanos a colocar são essenciais para o êxito da acção”, explica.

O aparecimento de recintos com maior qualidade e variedade de valências vão, na opinião de Bernardo Alegra, de encontro a uma perspectiva de rentabilização dos recursos existentes no país. “É uma forma de nos posicionarmos. Temos um clima e uma gastronomia, que são bastante apreciadas. Se aliarmos a isso bons serviços e infra-estruturas, será certamente importante para o nosso desenvolvimento. Daí que seja importante a construção do novo aeroporto, pois isso é fundamental para o desenvolvimento do sector”, esclarece o director da Young Ad. Exemplo disso, prossegue, são os estádios construídos para o Euro 2004, que foram pensados para dar resposta a uma procura mais vasta de soluções nesta área. A escolha do local é determinante mas não é o único elemento diferenciador da qualidade de um evento. Como refere Bernardo Alegra, o sucesso começa pelo próprio briefing. “É preciso definir muito bem o público-alvo, os objectivos a implementar, de modo a delinear toda uma estratégia, sendo que os conteúdos de um evento terão de estar sempre alinhados com esses factores”.

Daniela Dias, sócia-gerente da Stormy Events, alia o dinamismo do evento à qualidade do espaço para dar resposta às expectativas dos clientes da empresa. “Uma boa dose de variedade, de interacção e descontracção são os ingredientes fundamentais para que os objectivos sejam cumpridos”, realça, acrescentando que a existência de “um bom catering faz toda a diferença, pois se este não tiver qualidade coloca logo em causa a qualidade do evento”.

Como explica, a fechar, João Dias Pestana “os eventos são uma sucessão de acontecimentos que deverão, preferencialmente, estar previstos e pré-programados. Nada deverá acontecer por acaso. O que não quer dizer que, por vezes não aconteçam imprevistos”, diz, realçando que “a realização do evento é o culminar do nascimento de uma ideia. Alguém, em dado momento, decidiu comemorar alguma coisa em algum sítio num determinado dia”. E, por último, aponta: “Desde esse momento de decisão, serão muitas as pessoas que serão chamadas a dar opiniões, sugestões, propostas para fazer desenvolver a ideia. A nós cabe a capacidade de discernimento para a escolha dos melhores parceiros, dos melhores caterings, da melhor luz, som, local, da imprensa, dos media. E, claro, dos artistas”.