Os 15 anos da TVI

Por a 15 de Fevereiro de 2008

No dia 20 de Fevereiro de 1993 nascia a estação de televisão que actualmente é líder de audiências. Desde 2001 a liderar no prime-time e há três anos no topo da tabela de audiências no total do dia, a história da TVI foi pautada por diversos momentos que marcaram o meio audiovisual em PortugalTrês novos programas de informação, reforço da ficção, nomeadamente com telefilmes, e a exibição do Euro 2008. São estes os três principais pilares da grelha da TVI em 2008, numa altura em que comemora o 15º aniversário. O ano começou com a liderança das audiências, um facto que tem marcado os últimos anos da estação, que chegou a ser conhecida como “o quarto canal”.

Menos de quatro meses depois do nascimento da SIC colocar um ponto final no monopólio da televisão estatal, nasce a segunda televisão privada em Portugal. Foi no dia 20 de Fevereiro de 1993 que a TVI-Televisão Independente, se lançou como o quarto canal generalista. A história destes 15 anos de emissão que a estação sedeada em Queluz assinala na próxima semana foi marcada por variados momentos, que se fundem em duas fases fundamentais: antes e depois da Media Capital.

Hoje totalmente controlada pelos espanhóis da Prisa, a TVI já passou por várias mãos no decorrer do seu percurso. Inicialmente dominada por entidades ligadas à Igreja Católica, as emissões da estação começaram por estar associadas àquela, sendo a informação dirigida pelo padre António Rego e a programação liderada por José Nuno Martins. Em 1997, o grupo Media Capital entrava no capital social da TVI, que depois prosseguiria numa lógica de expansão. Miguel Paes do Amaral, presidente do grupo, inicia nessa altura a reformulação da empresa. Em Abril de 1998 é a vez da Sonae de Belmiro de Azevedo conseguir uma posição de relevo nas assembleias gerais, ao associar-se à Lusomundo e a Stanley Ho. A gestão da televisão é tomada pelos grupos Sonae, Cisneros e Lusomundo em Junho do mesmo ano. É Belmiro de Azevedo quem coloca José Eduardo Moniz aos comandos da estação, como director-geral. Entretanto, em Outubro a Sonae avança com um aumento de capital. Nessa altura a Media Capital exerce o seu direito de preferência e adquire as posições das três empresas, passando a holding de Paes do Amaral a deter mais de 90% do capital da TVI. A partir daqui começa a luta pelas audiências.

Depois de um início de emissões pautado por avanços e recuos, o ano 2000 iria marcar a verdadeira viragem na história das audiências da estação. Mudança indissociável da emissão do programa Big Brother, da Endemol. O reality show, que nasceu em Setembro, contribuiu para a TVI subir cinco pontos percentuais em termos de share e terminar o ano com 22,4%. No mesmo ano, também a informação era relançada. Já em 1999, o canal havia iniciado a forte aposta na produção de ficção nacional, uma vez que até aí a TVI detinha na ficção importada a base da sua programação. A partir de 2000 os tempos são de crescimento e consolidação, na qual a ficção nacional, aposta forte de José Eduardo Moniz, tem um papel de grande destaque. A emissão da novela Olhos de Água em 2001, protagonizada por Sofia Alves, foi uma das responsáveis para a estação de Queluz dar o salto e atingir 34,8% de share e reduzir a distância que a separava da SIC. Embora já fosse líder no prime-time desde 2001, horário que a TVI resolveu “atacar” em primeiro lugar, a liderança no share em all day é finalmente alcançada pela TVI em 2005, ano em que atinge os 34,9%, relegando a estação de Carnaxide, que há 11 anos liderava as audiências, para o segundo lugar. Hoje, para José Eduardo Moniz, vive-se na TVI um “ambiente de liderança saudável”. Condição esta que o director-geral destaca ter sido conquistada com “disponibilidades financeiras limitadas”.

Em 2005 é a vez da Prisa entrar em acção, assumindo oficialmente em Novembro o estatuto de accionista principal do grupo Media Capital. A posição foi conquistada após a aquisição da Vertix SGPS, e dos seus 33% de capital e direitos de voto, no seguimento da venda negociada entre ambas as partes em Julho do mesmo ano. Ainda em Novembro de 2005, Manuel Polanco é nomeado administrador-delegado da Media Capital, ocupando um cargo que até aí não existia na holding. Em Outubro de 2006, a Prisa lança uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a totalidade das acções representativas do capital social da Media Capital, oferecendo 7,4 euros por acção. Esta OPA deixou a Prisa no controlo de 73,7% do capital do grupo que detinha a TVI. Sobre o remanescente 27,3% de capital, a Prisa lançou então uma OPA obrigatória com base numa contrapartida de cerca de 8,2 euros por acção. Nesta altura, Juan Luís Cebrián, CEO da Prisa, manifestava satisfação por este processo permitir a “constituição de um grande grupo de comunicação ibero-americano e luso-hispânico”. A TVI pertencia agora ao maior grupo de comunicação espanhol, que detém o diário El País, a rádio Cadena SER e o canal de televisão Cuatro e possui ainda negócios de media em 22 países europeus e da América Latina. Em Abril de 2007, João Maia Abreu é nomeado director de informação do canal de Queluz, na sequência da reorganização da estrutura interna de direcções e serviços levada a cabo pelo director-geral, José Eduardo Moniz. Mário Moura mantém-se como director-adjunto e Manuela Moura Guedes como subdirectora. Logo de seguida, em Maio, Joaquim Pina Moura é nomeado presidente não-executivo da empresa proprietária da TVI. A OPA é concluída em Julho, ficando a Prisa a deter 94,39% do capital da MC. Quanto à TVI, desde Agosto de 2007 que a Prisa detém 99,9442% do seu capital.

Sob o controlo total da Prisa, a TVI continuou a aprofundar a sua posição enquanto jóia da coroa dentro do grupo, reforçando o estatuto do meio televisão como aquele que mais contribui para os resultados da Media Capital, e ocupando também o primeiro lugar no ranking do investimento publicitário.

A produção nacional continua a ser uma aposta forte do grupo. Daí que a Media Capital tenha passado a deter em Outubro a totalidade da NBP, ao adquirir a posição minoritária nas mãos de António Parente, num investimento de 13,5 milhões de euros. O objectivo agora passa pela concentração da produção da Prisa e Media Capital sob a marca NBP. Manuel Polanco garantia em Outubro ter nos seus planos a criação de uma verdadeira “cidade cinematográfica”, estando para tal em negociações com várias câmaras municipais na região de Lisboa com vista a acolher os cinco estúdios de produção da NBP e também produção de exterior. O mesmo afirmou na altura que a sua estratégia inclui a constituição de um “grupo de fornecimento de conteúdos”.

Na liderança em sinal aberto há três anos consecutivos, no percurso pautado por um crescimento consolidado, o que sempre escapou à TVI foi a presença no universo cabo. 2008 parece ser, por isso, um novo ano de viragem na história da estação, com o lançamento do canal de informação da estação no cabo, que tem estreia marcada para Setembro. Depois de mais de oito anos de negociações com a Portugal Telecom com vista à colocação do canal na TV Cabo, o processo que foi sendo alvo de sucessivos atrasos. Este ano, a TVI alarga finalmente a sua oferta a outro leque de público e, em aberto, está ainda a possibilidade de lançamento de um outro canal de entretenimento com a chancela da TVI na plataforma cabo, cujos planos passam pela utilização dos conteúdos do canal generalista

“Em Portugal para se ser líder em rentabilidade tem que se ser líder em audiências”

Meios & Publicidade (M&P) Como define actualmente a TVI?

José Eduardo Moniz (JEM): Como uma estação de perfil generalista aberta a todos os públicos, com ambição, estabilidade e ao mesmo tempo com enorme capacidade de atrevimento. Atrevimento na busca de modelos novos, de produtos novos, de não se resumir a avançar por formatos distintos daqueles que há hoje, por apostar em ser rigorosa e investigativa na sua informação, etc.

M&P: Os três novos programas de informação mostram que a TVI está a reforçar a aposta numa área que tem sido um pouco descurada?

JEM: Há muito tempo que temos o objectivo de reforçar a componente informativa da TVI, que até agora tem estado basicamente concentrada nos jornais. Só não o fizemos ainda porque não estavam reunidas as condições objectivas para isso. A partir do momento em que elas existem avançamos.

M&P: Há alguma outra área que ainda falte reforçar na programação da TVI?

JEM: Nós nunca devemos estar satisfeitos com nada do que se faça em qualquer das áreas. Por isso todas as áreas são áreas de insatisfação, porque não queremos ficar parados à sombra da bananeira.

M&P: Como avalia a actual programação das televisões nacionais?

JEM: A programação da TVI aposta muito na componente portuguesa. Falamos português desde as 7h da manhã até pelo menos à meia noite e 15. Falamos português consecutivamente e depois voltamos durante a madrugada. Há outras estações de televisão que não têm este perfil, mas para nós isto é vital. Nós posicionamo-nos desta forma em oposição aos produtos brasileiros que marcaram durante muitos anos a programação das televisões, em particular da SIC, que foi líder até a TVI a destronar. Por outro lado, em relação ao chamado serviço público de televisão ainda há muito para fazer no sentido de tornar a RTP numa estação verdadeiramente de serviço público. Acho que se olharmos hoje em dia para a programação regular da RTP das 9h da manhã até às 22h da noite, poucos serão os programas de serviço público, é uma cópia da programação das privadas. E à noite, salvo um debate ou outro, ou uma reportagem, que os canais privados também podem introduzir, o resto não me parece que seja diferente relativamente àquilo que os privados apresentam.

M&P: Olhando para trás, terá sido mais difícil chegar à liderança ou mantê-la?

JEM: Nunca trabalhamos na lógica de virmos a ser líderes. Trabalhamos na lógica de garantir rentabilidades boas, queremos ser líderes em rentabilidade. A liderança das audiências vem por acréscimo. Provavelmente em Portugal para se ser líder em rentabilidade tem que se ser líder em audiências. É uma das conclusões a que pudemos chegar. Não sei se é mais difícil chegar ou manter [a liderança], acho que é igualmente trabalhoso.

M&P: Em termos de audiências, até onde pode ainda crescer a TVI?

JEM: Aí vou-lhe responder de uma forma vaga. Até onde os telespectadores quiserem.

M&P: O nascimento do quinto canal vai implicar um reforço de preocupação?

JEM: É evidente que haverá uma situação de dificuldades acrescidas para os operadores actuais e logicamente trará também dificuldades para o operador que nascer. Mas é uma inevitabilidade. O que as pessoas têm de fazer é organizar as suas empresas, a sua programação, estratégias de abordagem ao mercado tendo em conta que há um participante novo no mercado.

M&P: Imagina-se director-geral da TVI no 20º aniversário?

JEM: Eu actualmente sou director-geral da TVI. Não sei o que se passa nas nossas vidas nem hoje nem daqui a cinco anos. Enquanto me sentir bem na TVI não tenho razões para equacionar outras hipóteses.

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