Fim dos mitos da web

Por a 1 de Fevereiro de 2008

A Proximity deita por terra alguns dos mitos em redor da internet e dos seus utilizadores. Descubra que, afinal, as pessoas não são diferentes no mundo virtual e no mundo realDe maneira a tentar perceber melhor a Web 2.0, as pessoas que a usam e o que as marcas podem fazer, a Proximity Worldwide fez um estudo em 19 países, entre os quais Portugal, entrevistando cerca de quatro mil pessoas (205 em Portugal). “O mundo online e o que se desenrola nesse mundo é o próximo grande desafio das agências. Nós temos que estar atentos a essa realidade já que a comunicação vai ser cada vez mais online”, afirma Nuno Antunes, CEO da Proximity Portugal, para justificar a participação no estudo.

O estudo da Proximity, denominado ‘Sex, Lies and Reality’ parte da constatação que, do ponto de vista do marketing, estamos a assistir a uma democratização em massa dos media que actualmente são dominados pelos consumidores. Tanto é que os novos chavões desta área são comunidade, colaboração e cooperação. Para alguns, a web é uma comunidade viva que se tornou o epicentro das suas vidas. Para outros é um mundo anárquico em que tudo acontece. A Proximity quis perceber a verdade e separar o mito da realidade. A pesquisa demonstra que as pessoas não são diferentes quando acedem à vida através de um computador. Têm as mesmas personalidades e crenças, mas estão aptas a explorar, experimentar, expressar e validar as complexidades de si próprias, livres de críticas e censuras que acontecem na vida real.

Segundo a Proximity há alguns mitos populares que cresceram em redor da Web 2.0.

1º São todos freaks e geeks. Não é verdade. De início foram naturalmente pessoas mais técnicas a usá-la, mas actualmente todos os perfis sociais estão representados. Aliás, são demasiadas pessoas para serem todas freaks e geeks.

2º É perfeitamente óbvio o que é real. Durante séculos, as pessoas têm fugido da realidade quer através de álcool, drogas ou yoga. Essas “tecnologias” levaram os nossos antepassados do sítio onde estavam para o sítio onde queriam estar. O real e o virtual convivem sem que se consiga dizer onde começa um e acaba o outro. E o virtual espelha o real, se não que sentido fazia que houvesse casas de banho e locais para dormir no Second Life?

3º As pessoas pensam e agem de maneira diferente. Segundo a pesquisa da Proximity, muito do comportamento online das pessoas reflecte a sua verdadeira personalidade. As pessoas são mais verdadeiras para si próprias online porque sentem-se livres de constrangimentos e convenções. E as marcas têm aqui uma oportunidade de conhecer o pensamento dos consumidores de uma forma mais profunda do que alguma vez foi possível no offline.

4º É uma realidade anárquica e sem leis, ou seja, uma selva. Tal como no mundo físico quem procura depravação e anarquia vai encontrá-las na internet. Mas o normal na internet é as pessoas auto-regularem-na. E as regras aplicadas na vida real são geralmente transpostas para o online. Por exemplo, os jogos online, os mundos virtuais e as redes sociais têm regras. E aqueles que as quebram são condenados e excluídos mais eficazmente que offline.

5º Basicamente trata-se de pornografia. Toda a gente procura alguma coisa na internet. Para uns é pornografia, outros amizade, sentimento de pertença, auto-satisfação, expressão criativa, poder, aspirar a uma vida melhor, debater temas ou como escape para questões do mundo real.

6º Transtorna-nos e torna a sociedade perigosa. Não é difícil encontrar exemplos de pessoas que por passarem muito tempo ligados à internet prejudicaram de alguma forma as suas vidas, terminando namoros, casamentos, perdendo empregos… Nalguns casos pode tornar-se obsessiva e, em raros casos, pode parecer que a vida é mais compensadora e tem mais significado online. Esses devem largá-la. Todos os inquiridos contrariaram a ideia de que a internet provoca isolamento, exclusão social e comportamentos anti-sociais. Como já referido, muitos encontram na internet o seu verdadeiro “eu” e encontram espaço onde expressar a sua verdadeira personalidade.

A Proximity considera que este estudo veio mostrar que o ambiente online é o único sítio onde se consegue ver de facto como são as pessoas e como se exprimem. Ou seja, o comportamento online mostra como as pessoas querem que as marcas interajam com elas em todos os ambientes, sejam eles online ou offline. Segundo a Proximity, se as marcas prestarem atenção a esta informação farão progressos significativos para chegarem às necessidades e desejos dos indivíduos.
Princípios chave para relacionamento online

A Proximity identificou alguns princípios chave para o relacionamento com os indivíduos online.

1. Utilidade – As marcas devem entregar um benefício aos utilizadores. Num mundo cheio de mensagens, os indivíduos querem marcas que sejam úteis. Devem poder usar o que as marcas lhe dão para satisfazer uma necessidade ou desejo.

2. Cidadãos activos – A web está em constante mudança. As marcas devem entender isso e, de maneira a criarem relações com os utilizadores, devem também ajudar ao desenvolvimento da web.

3. Ser interessante é mais importante do que ser autoridade. As pessoas não navegam à procura de especialistas, mas sim de conversas interessantes. Se as marcas conseguirem ser as duas coisas, óptimo. Mas ninguém tem paciência para conversas aborrecidas.

4. Individualismo não é intimidade. As marcas devem mostrar respeito e falar para os indivíduos e não falar para o ar na esperança que alguém ouça. Mas, atenção, criar relações individuais não significa tentar ser amigo das pessoas.

5. Trata-se de colaboração e não co-criação. É um mundo de colectivo e de relações one-to-one. As pessoas não ficam agradadas quando a marca tenta estabelecer as regras. Não lhes empurre mensagens. Ouça, aprenda e participe.

6. As marcas devem tornar-se fluidas. No mundo em permanente mudança, as marcas também devem mover-se com os tempos. Permita que a sua marca evolua para ter sucesso no online. Isto significa que tem que ter constantemente monitorização de maneira a sobreviver. Não tente adaptar ideias antigas a este espaço. Irá falhar.

7. Use o logo com cuidado. É relativamente fácil e barato espalhar a sua imagem e mensagens por toda a internet. Resista a essa tentação. As percepções negativas da marca espalham-se, aqui, como rastilhos de pólvora.

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