As novas tecnologias e a oferta de imagens low cost vieram abalar o mercado da comercialização de imagens estáticas e móveis.Cada vez mais o factor preço acompanha o de qualidade
Têm como público-alvo todos aqueles que precisam de utilizar imagens. Desde as agências de publicidade aos gabinetes de design, dos media a laboratórios farmacêuticos, de webdesigners a agências de relações públicas, de marketeers a clientes directos e particulares. Falamos, claro está, dos bancos de imagem. Têm que lidar com muitos perfis de utilizadores, muitas necessidades, timmings e exigências de qualidade diferentes.
Mudanças sobretudo tecnológicas
Tal como em muitas outras áreas, também na dos bancos de imagem as novas tecnologias estão a mudar a forma tradicional de trabalhar. Na opinião de José Pacheco, director geral do Grupo Atlântico Press, “o mercado actual dos bancos de imagem define-se com três regras, ou três axiomas, que eu chamaria de ouro: uma tendência imparável na procura de imagens online; uma imensa procura de imagens novas, frescas e surpreendentes; e a obrigatoriedade de oferecer um preço cada vez mais competitivo”. O responsável do grupo Atlântico Press acredita que está em linha com estes três grandes princípios.
Segundo Paulo Fernandes, director geral da Casa da Imagem, a passagem do meio analógico para o digital veio contribuir para “um aumento tremendo” na produção de imagens e a sua consequente disponibilização quase imediata. A par disso a internet e a possibilidade de os clientes poderem pesquisar, escolher e comprar online as imagens pretendidas fez com que actualmente qualquer banco de imagem que se preze tenha que ter, obrigatoriamente, as suas colecções na internet de forma a poder mostrá-las. Na Casa da Imagem a mudança não aconteceu de um dia para o outro. “Houve uma evolução lógica e racional para um estado onde é primordial apostar em tecnologia, estar sempre atento às novidades, estar actualizado e ter presente que o nosso mercado não é só o mercado nacional, mas sim o mercado global”, explica Paulo Fernandes.
E precisamente porque a comunicação digital e o avanço tecnológico são processos irreversíveis torna-se necessário, na opinião de Maria Guimarães, sócia gerente e directora executiva tanto da VMI Corbis como do AIC, “estar à altura de lhes fazer face e acompanhar todos esses desenvolvimentos procurando encontrar soluções para servir os clientes de forma eficaz e muito presente”.
Low-cost ao poder
Primeiro as viagens de avião, depois em hotéis, aluguer de carros, e muitos outros produtos e serviços, agora o low-cost chegou aos bancos de imagem. A VMI Corbis tem uma política de preços que permite oferecer a valores muitos próximos, imagens em ficheiros idênticos aos do low cost, para determinadas utilizações. “Contudo, o nosso core business é apostar nas imagens e em conteúdos premium, que fazem a diferença e que permitem aos nossos clientes fazer a diferença com as imagens que colocam nos seus trabalhos”, explica Maria Guimarães.
“No que respeita ao AIC e sob a alçada de produtos Jupiter Images, o sistema de subscription é uma alternativa às imagens low cost, com a enorme vantagem de disponibilizar diversos planos os quais podem ser adequados às necessidades reais dos clientes. Trata-se efectivamente de uma solução de imagens mesmo à medida das necessidades”, diz a mesma responsável.
Paulo Fernandes, director geral da Casa da Imagem, lembra que desde que surgiram no mercado as imagens royalty free, disponibilizam imagens low cost. Como exemplo refere que ao comercializarem CDs com 1004 imagens (formato A4+) por 249 Euros, estão a vender imagens a 24 cêntimos. “E isto é super hiper low cost… mas apesar de tudo com alguma protecção… pelo menos de qualidade”, comenta. E acrescenta que a empresa disponibiliza no site imagens royality free aos mais variados preços. “Temos imagens para todas as bolsas, tal como se costuma dizer”, comenta.
José Pacheco diz que também o grupo Atlântico Press tem imagens “low cost”. “O preço das nossas imagens começa em 4,90 euros. E essas imagens podem ser utilizadas pelo consumidor as vezes que entender, até ao fim da sua vida, sem pagar qualquer extra”, assegura.
Movimento destrona estático
Num mercado em que tudo se move a velocidades alucinantes, também nos bancos de imagens se procura movimento. Apesar de neste momento apenas terem imagens estáticas o grupo Atlântico Press vai cobrir, também, a curto prazo, ‘footage’, comentou José Pacheco.
A Casa da Imagem é um dos actuais fornecedores de filmes (footage ou videoclips) aptos para publicidade, desde filmagens raras de arquivo até clips contemporâneos, diz Paulo Fernandes. “Presentemente pesquisáveis em www.casadaimagem.com temos mais de 11 mil videoclips e mais de 500 CD royalty free em temas tão diversificados como negócios, pessoas e estilos de vida, natureza e vida selvagem, viagens e locais”, refere. A agência firmou também um acordo de distribuição com uma das maiores agências mundiais de imagens em movimento, em que disponibilizam videoclips de marcas como National Geographic, Sony Pictures, Triangle Collection, Storyline Collection, NBC News, HBO Archives, NCAA e The March of Time. Para o mercado editorial, a empresa representa o primeiro website específico com videoclips de celebridades e pessoas famosas, onde, além se poder ver o clip, pode-se gerar imagens em alta resolução do frame que se quiser. “Consideramos ser uma ferramenta muito interessante, pois o editor pode fazer a ponte entre a publicação impressa e a publicação online com imagens (estáticas e em movimento) sobre a mesma situação”, opina Paulo Fernandes. A agência desenvolveu um website somente para imagens em movimento, concentrando debaixo da mesma plataforma as várias horas de filmes que têm para comercialização. Este website (www.trendymovies.net) estará online durante o próximo mês de Fevereiro. “Manteremos no entanto os filmes também no casadaimagem.com”, disse Paulo Fernandes.
Também a VMI Corbis inclui na sua oferta imagens em filme sobre as mais diversas temáticas e de diferentes marcas que podem ser consultadas a partir de www.corbismotion.com. O AIC tem, segundo Maria Guimarães uma oferta bastante abrangente “não só para clips de filme através da recente parceria com a empresa americana ThoughtEquity Motion, que disponibiliza clips filme em regime rights managed e royalty free, bem como através da representação de dois produtos Getty royalty free, a Digital Vision e Photodisc”. Sob a alçada da Jupiter Images, o AIC disponibiliza ainda ficheiros/tracks de som (Jupiter Images Tunes em bbm.net).
Produção própria
Nem todas o fazem, como prova o exemplo da AIC e da VMI, quer seja por opção ou por falta de recursos, mas há alguns bancos de imagem no mercado que têm produção própria. É o caso da Fototeca Internacional que desde 1993 representa fotógrafos portugueses, produzindo e colocando as suas mais variadas produções de direitos controlados nos canais internacionais. “Contamos com um arquivo de mais de 90 mil imagens de Portugal, devidamente organizado e catalogado”, refere Paulo Fernandes, director geral da Fototeca. Este profissional conta ainda que têm um acordo com a Blue Media para a representação das imagens das revistas Blue Travel, Blue Living, Blue Cooking e Blue Wine para os sectores publicitários/comerciais e editoriais no mercado nacional e internacional. “Mais uma vez inovámos, ao dar a conhecer aos mercados internacionais as imagens produzidas para publicação nas revistas de um grupo editorial nacional”, comenta. Este profissional lembra ainda que criaram a marca i2pix para a produção de imagens royality free, que contém hoje mais de 15 mil imagens e cerca de 70 CDs, com produções feitas em Portugal e no Brasil. Têm ainda acordos para representação mundial das marcas portuguesas de royality free, images4 e photothema.
Também o grupo Atlântico Press tem produção própria, assinada por vários fotógrafos portugueses. “E essa produção própria já está a ser distribuída, através dos nossos agentes, em network mundial”, assegura José Pacheco.
O futuro na área editorial
Na opinião de José Pacheco a tecnologia é um grande desafio, mas é também uma grande oportunidade para todos os que a quiserem usar da melhor forma, em benefício do cliente e da estratégia de o servir melhor. “Por si, a tecnologia não mata a fotografia, nem a imagem, nem os fotógrafos. Pelo contrário, dá-lhe é um novo enquadramento, um novo suporte, um novo potencial, que se traduz em mais velocidade, mais rapidez, mais definição, mais criatividade, e muitas vezes em redução de custos”, opina.
Maria Guimarães é de opinião que o mercado editorial não se esgota na actualidade. Além da notícia e da actualidade o mercado editorial é também composto por histórias que foram alvo de investigação e pesquisa. “É composto por histórias de pessoas, de locais, de realidades, de civilizações, de sociedades. Para tudo existiu um passado, existe um presente e existirá um futuro”, garante.
Disponibilizar de imediato aquilo que se vai passando no mundo é uma obrigatoriedade, já que cada vez andamos mais depressa, segundo a opinião de Paulo Fernandes. É isso que fazem em www.casadaimagem.com/editorial, site destinado ao mercado editorial e que é actualizado automaticamente a todas as horas. “Mas também aqui encontrará reportagens de viagens, cultura e tradições, decoração e jardins, celebridades, assim como algo muito nosso que são festas e romarias tradicionais portuguesas, além logicamente, da actualidade, como política, desporto, moda e cinema”, acrescenta. Como a preocupação da Casa da Imagem é ir ao encontro das necessidades dos clientes editoriais e que passam pelas mais variadas áreas, comercializam também artigos, entrevistas, jogos e passatempos, receitas e imagens de culinária. “Disponibilizamos ainda as matérias das várias revistas dos grupos editoriais Expansion e Marie Claire, com um acervo de mais de 15 títulos diferentes”, refere.
Maria Guimarães não acredita que o advento da tecnologia e a facilidade em criar novas imagens, dite o fim dos bancos de imagens para fins editoriais. “Num mundo onde tudo acontece tão depressa, questões como o profissionalismo, a credibilidade e a autenticidade são incontornáveis. O mundo exige informação sim, mas também exige que essa informação seja credível e autêntica, onde, muitas vezes, para que a mesma seja obtida, requer investigação, requer cuidado e profissionalismo, chegando a própria vida do fotógrafo a ser colocada em risco”, explica. Neste contexto, refere, “não estamos a falar de imagens de paparazzi ou do facto de hoje qualquer pessoa dotada de um telemóvel com câmara ser automaticamente transformada em fotógrafa. Há e houve inclusive momentos em que testemunhos como esses são e foram realmente os únicos existentes e são os que são mundialmente publicados”. Paulo Fernandes defende que os bancos de imagem têm que ter a capacidade de se adaptar a estes novos desafios e exigências para que consigam proporcionar aos seus clientes um leque variado de imagens e soluções de acordo com as suas necessidades. “A nossa postura sempre foi, e é, de actuarmos mais como consultores e parceiros dos grupos editoriais, sugerindo matérias e colaborando com as publicações”, refere. Este director geral acredita que uma agência de imagens terá sempre um papel muito importante neste ramo de negócio, não como mero fornecedor de imagens, mas sim como parceiro. “É isso que fazemos…”, garante.