por João Paulo MenesesOs conteúdos multimédia
Abanalização de conteúdos multimédia será provavelmente a mudança mais pacífica de todas as que ocorrerão na próxima década – não que eles não inspirem, ainda hoje, alguma desconfiança, mas porque o seu aparecimento já começou.
Essa banalização começou com as próprias páginas online, a partir do momento em que se percebeu que colocar uma emissão streaming obrigava a um suporte na web e que esse suporte teria de ser minimamente agradável. Ou que, já agora, por que não colocar uns textos e umas fotos?
Dessa fase, digamos ‘beta', passámos para outro tipo de conteúdos, como sejam os gráficos ou o vídeo – o vídeo é ao mesmo tempo a mais simples e a mais radical ferramenta a que a rádio – entendendo, aqui, rádio como a indústria clássica – pode recorrer: porque o vídeo vem dar uma dimensão de consumo primário que antes seria impensável (a rádio é, ainda hoje, basicamente de escuta secundária, em acumulação com outras tarefas, a partir do momento em que apenas exige a presença de um sentido).
Os conteúdos multimédia passam igualmente por algo tão simples como a criação de páginas/blogues associados a programas (com diversas informações, que possam ser úteis, sobre o passado e a realidade presente do programa) ou por uma câmara (ou mais…) que emite a partir do estúdio (ou do estádio de futebol, como já aqui defendi, durante os relatos).
Conteúdos multimédia significam, finalmente, algo tão simples como fazer associar a cada música que passa – em tempo real – a sua letra (e, até, a tradução), o respectivo videoclip, informações sobre o grupo, em imagem e texto, e o tema, ligações para a sua página oficial, um endereço de correio electrónico a que os fãs podem recorrer para enviar comentários a esse grupo e a possibilidade de comprar a própria música.
O canal áudio continuará a emitir pela via hertztiana? Fala-se em «apagão» analógico, mas não é provável que ele venha a acontecer sem ser dada uma alternativa digital. Uma coisa parece certa: o investimento nos conteúdos digitais será desviado da emissão áudio clássica. Enquanto tiver ouvintes, a emissão hertziana manter-se-á útil, mas com a banalização do acesso on line portátil, só a própria manutenção de uma rede de emissores, facilmente substituídos por múltiplos canais online, acabará por ditar o fim da maior parte das emissões-rádio tal como hoje as conhecemos. Pode não ser até 2018, mas também não será muito depois.
(Inicio, neste segundo ano de colaboração com a Meios & Publicidade, uma série de 12 artigos temáticos sobre o futuro da rádio, a que dei o título genérico de «A rádio em 2018», daqui a 10 anos, portanto; a necessidade de ser curto e a própria exigência do texto jornalístico impedirão em muitos casos a fundamentação de algumas informações, primeiro passo para se confundirem com futurologia; da mesma forma, 10 anos é apenas um pretexto para a arrumação das ideias – mas uma coisa é certa, a rádio, tal como a conhecemos hoje, provavelmente já não existirá em 2018; espero demonstrá-lo ao longo das tais 12 crónicas)
Jornalista da TSF e investigador
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