O ICAP (Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade) deliberou por maioria que a campanha Orgulho Hetero, promovida pela cerveja Tagus, “não se encontra desconforme” a Constituição Portuguesa e o Código da Publicidade. Apesar desta decisão, os membros João Veiga Gomes e Carlos Raposo do Amaral não apoiaram esta decisão, explicando na deliberação que “salvo melhor opinião, consideramos que a campanha à Cerveja Tagus continha publicidade discriminatória, infringindo o disposto no artigo 13.º da C.R.P., os artigos 10.º, 13.º e 16.º do Código de Conduta do ICAP e artigo 7.º n.º 2 do Código da Publicidade”.
O instituto auto-regulador da publicidade analisou a campanha após queixas de cidadãos contra a campanha da cerveja Tagus que pretendia formar uma comunidade de heterossexuais no site www.orgulhohetero.com. Após as primeiras críticas, a marca decidiu suspender a campanha, criada pela Lowe, no fim de Novembro. À data, Sara Martinho, uma das autoras da queixas junto do ICAP, afirmou ao M&P que a campanha “brinca com uma realidade demasiado séria e referindo-se a uma característica, a heterossexualidade, que sendo dominante e aceite por todos à partida, não discriminada, não precisa de causa ou manifesto”. A mesma responsável defendia que “Falar de Orgulho Gay e Orgulho Hetero é, como, por exemplo, falar de Orgulho Branco e Orgulho Negro sendo o primeiro associado à opressão e discriminação que lhe é, a meu ver, correctamente imputada, e o segundo, visto como a luta por liberdades e igualdades plenas na sociedade”.