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Opinião :: Editorial

O Sol da Cofina

17 de Dezembro de 2007 às 16:30:57, por Carla Borges Ferreira

A ideia de que um ambicioso projecto editorial pode viver sozinho parece ter caído por terra esta semana, quando a Cofina entrou no capital do Sol, dando assim os primeiros passos para acrescentar ao seu portfólio um semanário, projecto que tem vindo a adiar há vários anos. As vantagens das famosas ‘sinergias' de grupo servem de justificação para este aumento de capital, numa operação que envolve a injecção de mais 2.5 milhões de euros no projecto. A sociedade O Sol Essencial conta a partir de agora com o know-how da empresa de Paulo Fernandes na área comercial, e com a vantagem negocial de um grande cliente nas discussões sobre a compra do papel, a impressão e a distribuição. Em contrapartida, terá que viver com todas as condicionantes e desvantagens que, segundo o fundador e director do projecto, são inevitáveis num grande grupo.Nos próximos meses, e com a contenção de despesas a já fazer parte do dia-a-dia da empresa, é provável que não surjam alterações de vulto na estrutura e modo de funcionamento do título. Mas, daqui a um ano, se a Cofina exercer a opção de compra que lhe permite ficar com a maioria do capital do Sol – e conta-nos a história do grupo que posições minoritárias não fazem parte da sua forma de estar nos negócios – e com as contas do semanário a serem consolidadas na holding, é que saberemos como é o Sol de Paulo Fernandes, conhecido por ter procedido a grandes reestruturações nos títulos que comprou. Vender 50 mil exemplares por semana não é mau, quando se luta com um gigante como o Expresso. Rejeitar à partida as receitas do marketing alternativo e acreditar que um jornal pode sobreviver só com as vendas e publicidade seria louvável, não fosse os leitores estarem quase viciados em ofertas e "pechinchas". Provavelmente daqui a uns anos o Sol continuará a existir e até será um projecto rentável, o que é um feito. Mas, o problema é que as expectativas criadas foram demasiado grandes, o que faz com que o interesse da Cofina no projecto, que a prazo pode ser a sua salvação, seja agora visto como uma derrota.