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Opinião :: Cronistas

* Asteriscos

30 de Novembro de 2007 às 12:00:03, por Meios & Publicidade

 EdsonAthayde

Por, Edson Athayde

Volta às aulas

* God Save the Queen. Não é que eu tenha sido convidado para a festa, mas calhou estar em Londres justo no fim-de-semana em que os reis da Inglaterra resolveram comemorar as suas bodas de diamante. Os media foram simpáticos com relação à efeméride. Mas sem grandes arroubos. A pequena Maddie continua a dominar a agenda de metade dos jornais. E a outra metade passou o sábado e o domingo a tratar da procura de corpos enterrados na casa de um serial killer. Tudo muito agradável, portanto.

* The book is on the table. Faço as minhas incursões na livrarias londrinas à procura de novos livros de publicidade. Lembro-me que ainda outro dia era um dos momentos mais felizes das minhas visitas a Inglaterra. As livrarias apinhadas de bons anuários e dentro deles o Santo Graal publicitário: ideias nunca vistas, feitas noutros países. A internet matou esse sentido de novidade. Está tudo lá para quem quiser procurar. E os livros sumiram. Ainda existem se quisermos comprar por catálogo. Mas ninguém parece disposto a gastar espaço na prateleira com o assunto. É mais um sinal do fim de uma era.

* Dancing in the street. Outro sinal que podemos encontrar nas ruas: os londrinos não tinham outdoors citadinos, tinham uma verdadeira exposicão de boa criatividade publicitária em grande formato. Hoje em dia, isso não é mais verdade. Desapareceram os tais outdoors especiais (não li nada sobre o assunto, mas tenho a certeza de que deve ter algo a ver com leis europeias contra a poluição visual e outras coisas do tipo). Ficaram os formatos padrão de mobiliário publicitário urbano. E expostos neles, cartazes iguais ou piores aos que podemos ver nas avenidas de Lisboa. Bocejo. Há uma tal padronizacão em relação ao que “pode ser feito” e ao que “não deve ser feito” que, lá como cá, tudo fica mais ou menos parecido. O que é mais uma vitória dos idiotas da objectividade publicitária. O importante é não fazer ondas. É ser certinho. É estar dentro das regras. Outro grande bocejo.

* TV or not TV. Na TV inglesa, o cenário também não é lá muito diferente. Nota-se que o dinheiro continua sendo muito (comparando com os nossos budgets), mas claramente menos do que há poucos anos atrás. E torna-se cada vez mais raro encontrar ilhas de criatividade pura e dura. Uma delas trata-se do spot “Monkey” dos chocolates Cadbury. “Monkey” foi lançado há alguns meses atrás através do YouTube. Sendo claramente uma peça viral, conseguiu números de fantásticos de visionamentos através daquele site. Sucesso tão claro que deve ter motivado o cliente a pôr o video na TV. Antes de emitir qualquer comentário sobre a coisa, vou explicar o que é o “Monkey” para os que nunca o viram (outra hipótese é você pesquisar: monkey + cadbury + advert, no YouTube). Dentro da mais elementar tradição britânica de humor nonsense, o spot mostra-nos um gorila a ouvir os primeiros acordes de uma velha canção do Phil Collins (“In the Air Tonight”). Ao meio do vídeo, percebemos que o gorila está sentado ao comando de uma grande bateria. E, supreendentemente, começa a dobrar o instrumento, aproveitando-se do áudio de um grande solo do Collins. Depois, bem, depois, como dizem os espanhóis não se passa nada. Há um pack-shot e pronto. É realmente hilário e desvastador para todos os que pensam que um spot pode ser apenas um briefing animado. Numa recente estrevista aos criadores de “Monkey”, publicada na revista “Creativity”, foi perguntado o que é que estava por detrás do spot. Eles mais ou menos disseram que nada. Que a ideia apareceu e que todos sentiram que ela merecia ser feita. Como quase todas as boas ideias costumas ser.

* Top of the Pops. A propósito, com o “Monkey” no ar, Phil Collins voltou, depois de vinte anos, a entrar no top ten das músicas ouvidas na Inglaterra. É o que podemos chamar de dano colateral.

* By the way… E, já agora, é difícil não recordar a parábola publicitária que faz a comparação da aprovação de um anúncio por um cliente com o momento em que o produtor de King Kong aprovou com louvor a primeira montagem da longa, só pedindo uma pequena alteração: que fizessem o favor de tirar o macaco. “Monkey” é mesmo isso: um bom anúncio aprovado sem que fosse tirado o macaco.

* Ou como diria o meu Tio Olavo: “Quando você vê uma ideia nova, o mais fácil é dizer “não'. Faça isso sempre. É mais seguro. E o melhor é que um dia, seguramente, vão dizer “não' também para a sua própria existência.”