Num período em que muitas empresas estão a discutir os planos de actividade para o próximo ano, com o incontornável foco no crescimento, não deixa de ser interessante olhar para as previsões que as agências de meios apresentam para o investimento publicitário em 2008. Os números variam entre os 3 e os 5% positivos, com expectativas, como pode ler mais à frente, bastante diferentes consoante o meio em análise. Por enquanto são valores meramente indicativos já que a meio de 2008 é certo que irão aparecer números mais próximos do real comportamento dos anunciantes.Em termos globais, esta até poderia ser uma boa notícia, não fosse a constante mudança de comportamento dos consumidores. Esta semana foi divulgado mais um estudo que indica que os jovens europeus entre os 16 e os 24 anos passam mais tempo online do que em frente à televisão. Este segmento é precisamente um dos principais motores do investimento publicitário e que, ano após ano, está a afastar-se dos formatos tradicionais de media. Basta olhar para os filhos, primos ou vizinhos, para perceber que a rádio foi substituída pelo leitor de mp3 e que os jornais, e até as revistas, deixaram de ser uma das principais fontes de informação. Mas para quem tem de escolher os meios para atingir este grupo apercebe-se que a internet ainda está longe de ser um meio perfeito e alternativo para contactar com estes consumidores. Alguns dos projectos da chamada web 2.0, que rapidamente se colocaram como referências publicitárias, não apresentam soluções estruturadas para as marcas. Comunidades virtuais que as marcas criaram para os seus consumidores não tiveram uma adesão significativa ou então mostram-se pouco atractivas. O Second Life, que até parecia que tinha mais marketeers do que pessoas comuns motivadas em estar presentes, já é dado como morto depois de ter sido empolado pelos media e pelas marcas. Até o YouTube, muitas vezes descrito como o canal de televisão preferido dos jovens globais, foi considerado pelos marketeers britânicos como o pior meio digital em termos de prestação publicitária, tal é a escassa oferta de soluções para as activar as marcas. Mas este é só um dos lados do meio internet. É que este meio é, por natureza, inovador e incontrolável.