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Media

Receitas em quebra

24 de Outubro de 2007 às 13:33:07, por Maria João Morais

Desde 2005 que o item relacionado com os produtos de marketing alternativo tem dado sinais constantes de quebras significativas nos vários relatórios e contas apresentados pelas empresas ligadas aos media, algo que Carla Sanches atribui à “banalização” deste tipo de acções, que contribuiu para a “diminuição substancial do seu impacto”. A directora de marketing da Impala não deixa, no entanto, de referir que “o que prevalece sempre é a qualidade da publicação e a sua relação com os seus leitores, sendo que uma escolha criteriosa dos produtos associados será sempre uma ferramenta extremamente útil para inverter este panorama”, algo que Carla Sanches entende que “infelizmente, não está ao alcance de todos”.Também Cristina Cândido garante que as quebras sucessivas se devem ao facto de “todos os editores recorrerem a este tipo de marketing, saturando a banca com ofertas”.

Domingos Amaral constata que este mercado se ressentiu nos últimos dois anos, algo que atribui “à crise económica” instalada nos portugueses. Se antes um produto distribuído em over price com a Maxmen chegava a vender 20 mil exemplares, hoje em dia esse número caiu para perto de metade “entre 10 ou 12 mil exemplares”, uma quebra que não se reflecte nas vendas da revista da responsabilidade da Media Capital Edições. O grupo controlado pela Prisa apresentou no último relatório e contas (referente ao primeiro semestre de 2007) uma descida de 40% face ao período homólogo no que diz respeito aos Outros proveitos operacionais, algo que a empresa atribui em parte à “redução significativa na venda de produtos associados nos principais títulos do grupo”.

Depois dos valores gerados com os produtos associados ao Público terem chegado a representar cerca de metade das receitas do diário (ultrapassando os valores alcançados com a própria venda em banca), os últimos dados, referentes ao segundo trimestre de de 2007, mostram uma quebra de 19,7% face ao mesmo período do ano passado. João Porto admite que os últimos dois anos representaram de facto uma descida acentuada, fruto da impossibilidade de “manter o entusiasmo inicial”, aliado ao “aumento da concorrência”, que apresenta preços cada vez mais baixos. Mas para o responsável de marketing, o jornal não se encontra dependente destas acções em termos financeiros.

Também a Cofina viu os resultados relativos aos Produtos de Marketing Editorial e Outros caírem 26,4% (40,1% na área das revistas) em relação ao primeiro semestre de 2006. Ainda assim, Maria João Costa Macedo, directora de marketing da área de revistas da Cofina Media, garante que a política de produtos associados continua a ser lucrativa. Embora reconheça que o mercado esteja “cada vez mais difícil”, Costa Macedo assegura que esta é ainda uma “importante fonte de receita” para as publicações de que é responsável.