Ventos internacionais de mudança
A compra da Recoletos pelos RCS MediaGroup foi a principal mudança ocorrida este ano na Económica, editora do Diário Económico e Semanário Económico
O ano foi fértil em mudanças para os lados da Económica. A empresa, propriedade da Recoletos, mudou de mãos por via de alterações no panorama de media internacional. No início do ano foi anunciada a compra da Recoletos pelos italianos do RCS MediaGroup, um negócio que envolveu a transacção de 1,1 mil milhões de euros. Com a compra, o grupo de media italiano consolidou a sua posição no mercado internacional juntando ao seu portfólio, onde já marcavam presença títulos como Corriere della Sera e a Gazzetta dello Sport, publicações como Marca e Expansion (no mercado espanhol) ou o Diário Económico e o Semanário Económico, no mercado português.
A aquisição teve naturalmente impacto na estrutura final do grupo, com especial relevo para a organização assumida no mercado de nuestros hermanos. Do outro lado da fronteira, assistiu-se ao nascimento da Unidad Editorial que assume sob a sua alçada a gestão dos títulos da Recoletos e da Unedisa (subsidiária do RCS MediaGroup), esta última editora do diário El Mundo. A historiadora Carmen Iglesias, a primeira mulher a ter assento no Conselho de Estado de Espanha, foi no início de Setembro confirmada como presidente do Conselho de Administração da Unidad Editorial.
Em Portugal, o processo de alteração resultante da compra não afectou de forma significativa a estrutura da Económica. Miguel Albaroado e Cayetano Ramos mantiveram-se na administração executiva da editora proprietária do Diário Económico e Semanário Económico, tendo as mudanças afectado sobretudo a administração não-executiva, liderada por Manuel Castelo Branco, onde foram eliminados quatro cargos.
Notícias vindas a público dão, no entanto, indicações que as mudanças na Económica, novamente fruto de decisões internacionais, poderão não se ficar por aqui. Em Julho, Antonello Perricone, CEO do RCS MediaGroup, em entrevista à agência Bloomberg, anunciou que estava a estudar novas aquisições em França e em Portugal, embora considerasse ainda ser “cedo para mais detalhes”. A Bola, segundo notícia avançada pelo Jornal de Negócios, era dada como uma das possíveis aquisições dos italianos em território nacional, informação que nunca foi confirmada por nenhuma das partes.
Recorde-se que desde o final de 2002, altura em que a Recoletos assumiu a totalidade do capital da Económica, até então detido em partes iguais pelo grupo espanhol e pela Media Capital, os responsáveis do grupo nunca esconderam a vontade de firmarem uma aliança com um player local e aumentarem os seus activos de media, o que até à data não aconteceu.
Apesar de editar apenas dois títulos, num mercado onde a falta de dimensão faz com que não exista economia de escala e dificulta a notoriedade, a Económica é hoje vista como uma editora saudável do ponto de vista financeiro, apesar da crescente concorrência que tem surgido no segmento da imprensa económica. Para além do Diário Económico e do Semanário Económico, a área de conferências tem sido uma prioridade para a empresa.