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Media

Aperta-se o cerco às produtoras

24 de Setembro de 2007 às 16:10:02, por Maria João Lima

As produtoras queixam-se que as margens orçamentais estão a bater no vermelho. Resultado, a qualidade é a primeira a sofrer as consequênciasDe há uns anos a esta parte as queixas intensificam-se: há cada vez maior pressão para baixar os orçamentos. E prova disso, segundo Ricardo Estêvão, sócio gerente e director de produção da Krypton, é que “em cada orçamento que fazemos vão sempre umas cinco ou seis propostas, numa tirando uma coisa, noutra outra”. E apesar de haver cada vez menos dinheiro para fazer as coisas, a exigência continua no topo. “Nós queremos sempre fazer melhor. Mas está difícil aliar as duas coisas”, refere. Rita Lage, coordenadora de serviço a clientes e desenvolvimento de novos negócios da Pix Mix, explica que o mercado vive cada vez mais balizado entre os baixos custos e os curtos prazos de produção.

E a questão é que continuam a chegar das agências scripts megalómanos, mas depois não há dinheiro para concretizá-los. E quanto menos dinheiro existe menos inovação pode haver e menos dinheiro há para poder investir em máquinas. “Chega a haver, inclusivamente, a situação de não haver dinheiro para exibir, por isso não vale a pena produzir”, diz Filipa Schlesinger, producer da Panorâmica 35.

João Sacadura, produtor executivo da Trix, diz que este ano houve o cimentar de alguns players do mercado, como as centrais de produção. “Foi o ano em que se sentiu, de facto, na produção, a intervenção desses players”, comenta. Mas Ricardo Estêvão não põe as culpas nas centrais: “Estas questões já existiam. As centrais até vieram organizar a parte dos clientes.”

Na opinião de Alexandre Careto, produtor da Ozono, a redução dos orçamentos obriga a um rigor maior para dar a mesma qualidade, “mas nota-se que a qualidade tem sido reduzida”. E acrescenta: “Os trabalhos em termos de produção são menos ambiciosos, ou seja, o dinheiro disponível tem sido mais na exibição do que na produção.”

O que dantes acontecia é que havia uma margem de criatividade entre o orçamento e o trabalho final, havia um trabalho de mais valia do script proposto. “Agora os orçamentos estão de tal forma emparedados que é pôr na prática com maior engenho possível, aquilo que foi criado na altura do orçamento. Qualquer produtora à mínima surpresa tem dissabores. Falta uma coisa que existe em toda a Europa que se chamam imprevistos. Duvido que alguma produtora coloque uma coisa que se chama imprevistos. Isto não é uma actividade matemática”, refere.

Miguel Varela, produtor executivo da Garage Films, comenta que para haver qualidade tem que haver dinheiro. “É uma ginástica que temos feito para conseguir bons preços para o mesmo nível de produção que já se exigia há não sei quanto tempo”, refere. E acrescenta que a qualidade do meio produção, a continuar assim, poderá vir a descer.

Segundo João Sacadura, o ano fica ainda marcado pelo aumento da vontade dos clientes de apostarem em novos media. Este profissional confessa que em 2007 sentiu o aumento de produção de animação. O produtor executivo da Trix acredita que a animação começou a ser vista como uma solução não tão cara e com claras vantagens na adaptação à internet.

Para as mudanças que ocorreram este ano contribuíram, segundo Alexandre Montenegro, realizador da Show Off Films, algumas transferências de clientes entre agências. Além disso, diz, “há uma produtora que tinha muita produção, quase 50% do mercado na mão, e já não tem. Esse trabalho foi redistribuído entre as outras produtoras”.