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Media

* Asteriscos

21 de Setembro de 2007 às 12:00:00, por Meios & Publicidade

b>Os Tempos Passam
* Águas de Setembro. Escrevo estes textos numa manhã fria de Setembro. Na coluna de som, um grupo americano toca uma interessante e cool versão de “Águas de Março” de Tom Jobim. A música faz-me lembrar que não só o tempo (o do relógio, o do calendário) passa como o outro tempo (o climatérico) já não é mesmo. O Verão europeu teima em ser uma surpresa diária. E quem foi de férias no mês que passou (o que não foi o meu caso) descobriu que em Portugal o Agosto também pode ser “pau, pedra e o fim do caminho”.

* Asteriscos 1. Na colaboração, que já vai em quase dois anos, que tenho com este jornal, o meu espaço já teve alguns formatos distintos (mas não necessariamente muito diferentes). Hoje, inauguramos mais uma versão. Agora, pretendo fazer apontamentos curtos de coisas, factos e pessoas que, por um motivo ou por outro, achei por bem destacar nesta minha página quinzenal. Quinze dias não é pouco, nem é muito tempo. Uma quinzena dá para ver e viver muito. É só uma questão de ir pondo asteriscos um pouco por toda a parte para depois serem explicados aqui.

* Asteriscos 2. Estava a teclar o parágrafo acima e lá para o fim notei que havia cometido um erro meu vulgar (entretanto corrigido) que é o de escrever “asteristicos” em vez de “asteriscos”. Apesar de redactor, é muito comum eu trocar uma palavra por outra ou acrescenter sílabas aqui e ali. Dizem que é um sinal de dislexia. Pode ser. Ontem mesmo, estava a tentar a dizer exactamente isso numa conversa com amigos e no lugar de afirmar “perdoem-me, mas eu sou meio disléxico” sai-me com um sonoro “perdoem-me, mas eu sou meio onomatopeico”. Como eram amigos, riram-se. E fiquei perdoado.

* Polémicas, precisam-se? Já fazia tempo que não lia sobre uma reacção tão firme contra uma campanha. O caso está a passar-se no Brasil e pode ser resumido assim: uma grande e boa agência (a Talent) cria e veicula uma campanha para um grande e bom jornal (o Estado de São Paulo) para divulgar os novos conteúdos do seu site. Alguns dos anúncios fazem cómicas alusões aos blogs, nomeadamente referindo-se ao facto de que nem todos são bons e boa parte não é credível. Mal a campanha vê a luz do dia, é atacada ferozmente por alguns blogs e pela quase totalidade da comunidade de meios online brasileira. A campanha em si é inócua. E nem tem lá tanta piada. A reacção de ira é desproporcionada e só me faz recordar o pensamento totalitarista de muito boa gente que publica coisas na internet. É possível fazer anedotas sobre gordos, negros, judeus, gays, portugueses e papagaios. Mas fazer anedotas sobre quem faz blogs é proibido ou, no mínimo, revidado de forma muito agressiva. Dizem que é uma luta pela democracia no espaço virtual contra o visão atrasada de quem vive ou trabalha nos meios tradicionais. Sei não. Tudo isso soa a coisas da antiga URSS. Se quer ver alguns dos anúncios da referida campanha (e ter a sua própria opnião) basta ir ao YouTube e pesquisar: campanha estadao.com.br

* “500 Mil Histórias de Amor”. É este o nome de um livro recém-lançado em Portugal e que foi escrito pela ex-publicitária espanhola Cuca Canals. Pode ser encontrado nas melhores livrarias cá da aldeia. E fala, justamente, sobre aldeias, amor e a exploração mediatica dos sentimentos. Trata-se de uma fábula sobre os dias de hoje, escrita com muita ironia e pelas mãos de quem (até por ter trabalhado em publicidade) sabe muito sobre o assunto. É uma leitura para lá de recomendável. Desde que não se assuste com a capa, para lá de equivocada.

* Fume, se faz favor. E já que vai a livraria conferir a minha sugestão anterior, aproveite e compre também o livro “Deixar de Fumar é Lixado”, do Pedro Rolo Duarte. Apesar de grande amigo do autor (e até de ser citado nalgumas páginas) falhei a apresentação do livro e ainda não o tinha encontrado nos escaparates. Corrigi essa má educação, adquirindo-o há alguns dias. Descobri que trata-se de um diário para lá de impressionista, algumas vezes divertido, noutras contundente sobre Portugal, o dia-a-dia, relações de amor e amizade e até o ambiente dos nossos media. Pelo meio ilustra coisas sobre a vida de quem está a tentar parar de fumar. Li-o prazenteiramente, em poucas horas, entre uma baforada e outra de Marlboro. Recomendo que faça o mesmo.

* Os mitos também travestem-se. Se quer entrar numa montanha russa de divertimento e tem pachorra para musicais, está em cartaz um fime imperdível: “Hairspray”. Além da presença de um John Travolta transformado numa gorda dona de casa para lá de desesperada, toda a película foi feita com tal bom artesanato que diverte e encanta os olhos do primeiro ao último fotograma. Uma lição de guião para redactores e de direcção de arte para o pessoal do FreeHand e do Photoshop.
* O Tio Olavo: “Tudo na vida é relativo. O tempo que dura um minuto depende muito de que lado da porta da casa de banho você está, por exemplo.”

Edson Athayde