ALPM tem uma pequena equipa de três colaboradores domiciliada no Norte e instalações em Gaia. Mais do que um escritório, é uma sala de reuniões grande e bonita. O objectivo não é concorrer com os nossos colegas do Porto. É oferecer às instituições do Norte os serviços de uma consultora nacional que tem a vantagem competitiva – em relação às outras consultoras nacionais – de recursos próximos e dedicados.Não existe, por isso, uma “LPM Norte”. Os clientes localizados naquela região do País são acompanhados pelas mesmas equipas que acompanham os clientes de Lisboa (ou da Madeira, Açores, Algarve, Espanha), com idênticas metodologias e serviços. Os honorários são, também, equivalentes.
É à luz desta experiência que me sinto com alguma credibilidade para tornar público o cepticismo que fui adquirindo, ao longo dos anos, perante o modesto contributo dado ao mercado português pelas empresas globais e internacionais de RP.
Os portugueses são conhecidos pela falta de auto-estima e pelo deslumbramento (atingindo, frequentemente, uma certa saloice) face ao que vem de fora, mas, na área do Conselho em Comunicação, sou dos que continuam à espera que as companhias multinacionais nos sirvam de referência e ajudem a melhorar o nosso mercado.
O nosso mercado, ainda muito jovem se comparado, por exemplo, com a maturidade anglo-saxónica, necessitaria provavelmente de consultores que viessem fazer a diferença na qualidade dos serviços prestados, na capacidade dos recursos humanos envolvidos, na adopção de novas metodologias.
Todos teríamos a ganhar com isso: as instituições portuguesas que se sentem em condições de avançar para novos graus de ambição e as consultoras nacionais chamadas a competir perante cenários de maior exigência (e, claro, margens acrescidas).
O que dispensaríamos, em Portugal, é marcas globais ou internacionais que se salientem por praticar preços mais baixos que os das suas congéneres portuguesas, ou que deslocalizem para outros países, nomeadamente a Espanha, os serviços prestados mesmo nos contratos com retribuições muito reduzidas.
A presença no mercado português de alguns desses operadores tem tido o efeito perverso de “puxar o mercado para baixo”, isto é, de levar consultoras portuguesas a terem de baixar os seus preços para continuarem a ser competitivas.
Para as consultoras com maior notoriedade ou dimensão não é mau que a concorrência se sinta apenas no fim da linha, mas, para quem gosta de pensar o mercado numa abordagem geral, fica um amargo de boca pelo facto de empresas globais que nos habituámos a idolatrar não contribuírem com uma actuação qualificadora e de referência.
Estou certo de que os procedimentos de gestão dessas empresas, nomeadamente em matéria de recursos humanos, constituem um exemplo de boas práticas. Recentemente, o Expresso noticiava alegada rescisão contratual de uma colaboradora grávida na EuroRSCG de Ricardo Monteiro, mas, felizmente, não existem notícias semelhantes no sector de RP.
O que deixo aqui escrito será, porventura, uma visão parcial de quem se habituou a seguir, com entusiasmo e espírito de aprendizagem, o trabalho e a evolução das consultoras globais e que se sente decepcionado sempre que sabe de factos locais que não se compaginam com a imagem entretanto criada.
Espero, no entanto, que os meus colegas que representam localmente essas entidades vejam estas notas como um desafio.
Luís Paixão Martins
Director-geral da LPM Comunicação