Onde termina a formação? Quem trabalha do lado das marcas valoriza mais uma cultura profissional experiente que um rol de conhecimentos académicos. Profissionais e professores do sector da publicidade e marketing apresentam os seus argumentosOque significa formação em actividades como o marketing, a publicidade, o design ou a comunicação e relações públicas? É um factor que termina com o curso ou começa a partir dos primeiros contactos com o mercado? De acordo com os profissionais que falaram ao M&P, quem trabalha nesta indústria é mais o resultado da aprendizagem no dia-a-dia da sua actividade do que a bagagem que traz de uma sala de aulas.
“Se não houver talento, nem com formação nem com a prática” se faz um bom trabalho. É assim que Paulo Pinto, director criativo da Euro RSCG sintetiza as suas prioridades na hora de contratar um criativo. O profissional reconhece a necessidade de formação constante mas não esconde igualmente que, quem trabalha na indústria criativa, precisa ser um pouco autodidacta. “Como o tempo não é muito, é complicado”. Ainda assim, Paulo Pinto atribui sobretudo às agências a responsabilidade de “dar condições” para que os seus activos reforcem a componente formativa das funções que desempenham.
Deverá até ser considerado como “um prémio”, aponta. Hesitando no que respeita à fidelização dos profissionais que ganham novas valências com o “patrocínio” da agência, Paulo Pinto mantém a convicção que este é o processo mais acertado. “O interesse é que depois as pessoas apostem em nós. É claro que a agência espera vir a beneficiar desse investimento”.
Para o director criativo da Euro RSCG formado no IADE, “a prática é a grande ferramenta de trabalho” de um publicitário. As responsabilidades de formador na Lisbon Ad School dão-lhe autoridade para jogar dos dois lados do campo, ainda que ambos sejam semelhantes por terem uma vertente real muito aproximada. “É nos exercícios práticos e no dia-a-dia das agências que as pessoas ganham formação”. Ao contrário desta escola, existem outras, onde não se questiona a qualidade do curso, mas aos quais “falta a componente prática”, diz Paulo Pinto, sem querer enumerá-las.
Este criativo acha contudo que, face às exigências de profissões em rápida mudança, as universidades e escolas especializadas estão a acompanhar, mais que não seja porque “os formadores são pessoas que estão no mercado e levam todo esse conhecimento” para as suas aulas, workshops ou seminários. Porém, há uma realidade incontornável para o criativo da Euro RSCG: “A prática representa 60% a 70% do sucesso dos trabalhos”.