O actual Executivo conseguiu em menos de dois anos uma proeza digna de registo: unir os empresários de media… contra as suas políticas.
Esta semana, num jantar promovido pela Confederação Portuguesa dos Meios de Comunicação Social (CPMCS), Francisco Pinto Balsemão utilizou expressões como “fúria legislativa” ou “estratégia de cerco” para se referir à acção do Governo. Também há alguns meses, Bernardo Bairrão, na altura presidente da CPMCS, afirmou ao M&P não existir “memória de uma frente de ataque tão grande”. A criação da Entidade Reguladora e as acções que tem vindo a desenvolver, o Estatuto do Jornalista, a Lei da Televisão ou a Lei da Concentração, ainda não aprovada e cuja versão final ainda está nos segredos dos gabinetes ministeriais, são alguns dos motivos do descontentamento.
Mas, para além dos empresários, e por causa do novo Estatuto e de um controlo que ameaça ser cada vez maior sobre a informação, também as vozes de vários jornalistas se têm erguido contra as políticas do Governo ou decisões da Entidade Reguladora. No caso do Estatuto, os motivos da discórdia chegam a ser opostos. Mas, mesmo assim, é obra.
O actual Executivo conseguiu também fazer renascer a Confederação Portuguesa de Meios de Comunicação Social, que nos últimos dois anos, muito graças ao anterior presidente, ao secretário-geral e também já ao novo presidente, voltou a ser uma voz activa na defesa do sector e um parceiro a ter em conta. O encontro desta semana foi mais uma prova.
Presente no jantar, Augusto Santos Silva garantiu que a “fúria legislativa vai continuar”… Os capítulos seguintes vão ter como pano de fundo o mais adiado do que aguardado concurso para a televisão digital terrestre que, entre outros pontos, nos leva para a discussão sobre a existência, ou não, de mais um canal de televisão.