Como o M&P percebeu junto de profissionais em ambas as actividades, esta relação de negócios tem tanto de parceria como de concorrência, nunca linear e raramente consensual. Por enquanto, ambos reconhecem a conveniência da relação e a interdependência das suas actividades. Veja-se, por exemplo a opinião de Pedro Santos, administrador da GPI-Prodigit, no que toca às perspectivas de colaboração entre agências e gráficas. “O relacionamento entre as agências de publicidade e as empresas gráficas será mais ou menos estreito quanto maior ou menor for a política de produção gráfica dessas agências de publicidade”, diz.Na óptica de Pedro Santos, “já há algumas agências que desinvestiram nesta área e que acabam por entregar a produção gráfica directamente ao cliente ou a centrais de compras”. Apesar da opção menos vantajosa em termos de parceria, para o gabinete de processamento de imagem e impressão digital, que “sempre manteve um excelente relacionamento” com as agências de publicidade, essa relação “será para manter”, até porque a empresa continua a ter uma “grande parte delas como clientes”.
Guilherme Nabais, director comercial da Tipografia Peres concorda, ainda que com algumas reservas. Reconhecendo que a relação “é, desde há muitos anos, de parceria e de busca de soluções que permitam a materialização dos projectos criativos”, o mesmo assume que, por vezes, “existem algumas dificuldades quando se torna necessário conciliar os automatismos de uma indústria com a exigência de operações que se enquadram mais no âmbito da manufactura”.
Ainda assim, Guilherme Nabais afasta qualquer pressuposto de que as agências poderão ter responsabilidade na alegada baixa de preços. Pelo contrário, a mesma fonte coloca o ónus no seu próprio sector. “A responsabilidade tem origem no aumento descontrolado da oferta gráfica e na crise que se instalou nos últimos cinco anos e que levou à quebra dos investimentos, nomeadamente os publicitários”.
Será que, afinal, o quadro não é tão negro como a generalização que frequentemente se pinta do mercado? Também nesta questão há pontos de vista divergentes. Vasco Leite é director de produção da Power House Ativism e afirma, num tom conciliatório, que “os dias de hoje provam que ambas precisam de se apoiar para vencerem e terem sucesso. Um mais um é igual a dois”. De qualquer modo, “é necessário existir maior transparência e fluidez de processos, de forma a não dar espaço ao desgaste e à dúvida”.
O profissional de produção adverte que, para a fórmula ter efeito, é obrigação das empresas “perceber as necessidades e campo de actuação de cada área. O conhecimento, o diálogo e a comunicação vão resultar num serviço cada vez melhor”. Assim, tendo em conta este posicionamento, “não parece correcto” afirmar que as agências incorram numa pressão para baixar preços. “Somos todos responsáveis pela situação que se foi criando”, explica Vasco Leite.
Já Manuel Hora, director de produção da Rasgo, encara o sector com algum cepticismo. Questionado acerca das tendências na parceria entre gráficas e agências, diz taxativamente “Não sei”. Contudo, argumenta: “quando precisámos das gráficas para conquistar trabalhos verificámos que eram as nossas principais concorrentes. Aprendemos e contornámos esta questão com outras soluções.” Afinal, lança, “somos nós que aconselhamos e desenvolvemos as estratégias e os planos de comunicação das marcas”.