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Emprego & Formação

Brainstorming: um método com muito pouco de método

18 de Junho de 2007 às 17:00:28, por Filipe Pacheco

Num artigo dedicado ao brainstorming publicado no MarketingProfs.com, Steve McNcmara refere que, muitas vezes, as sessões não são rentáveis pelo facto de serem “mal concebidas, planeadas ou dirigidas”. Uma frase que delimite de forma clara os pretendidos e uma selecção dos participantes que contemple um certo grau de heterogeneidade, são, na opinião deste articulista, meio caminho para que surjam boas ideias. McNamara refere que devem ser instadas a participar não só quem está familiarizado com o processo criativo, como também pessoas que estejam à sua margem. Estas, se forem inteligentes e imaginativas, vão acrescentar criatividade ao projecto.Partindo das ideias defendidas no artigo How to Conduct a Brainstorming Session, o M&P desafiou dois directores criativos a pronunciarem-se sobre os métodos utilizados nas suas agências.

Lourenço Thomaz, director criativo da Partners, explica que na agência não existem sessões específicas de brainstorming. “É claro que existe brainstorming, mas sessões não. Existe de forma natural, mas não é imposto”, e prossegue referindo que “o brainstorming da Partners é feito no dia-a-dia entre os criativos, entre os criativos e os accounts, entre os accounts e a produção, entre as pessoas da net e a secretária”. É, portanto, um processo pouco formal e dinâmico.

Do lado da DraftFCB, o director criativo Duarte Pinheiro de Melo adianta que não costuma “fazer brainstormings com grupos grandes, metodologia e líder”. O responsável da agência dá prevalência a grupos pequenos, “com três ou quatro pessoas no máximo, para evitar a dispersão”. Uma abordagem que vai ao encontro das ideias de Steve McNamara, uma vez que, para este, o ideal “é ter um número reduzido de elementos durante uma sessão”.

Coincidindo com o artigo publicado no MarketingProfs, na Partners as ideias que vêm de fora são sempre bem-vindas. “Esta espécie de brainstorming não se limita a pessoas que trabalham na agência. Se perguntar a qualquer cliente da Partners, isto é feito com todos eles. E é feito tanto com o administrador como com o estagiário”, conta Lourenço Thomaz, prosseguindo para colocar a tónica no dinamismo que é incutido na agência. “Envolvemos as pessoas que achamos que serão uma mais-valia para o processo em causa. E isto não é fixo, é completamente flexível”. “Durante as 'sessões' , que não são sessões, não existe ninguém a moderar ou conduzir e não é imposto nenhum tipo de postura”, completa Lourenço Thomaz.

Por outro lado, o criativo da DraftFCB sublinha a ausência de uma postura castradora no momento do aparecimento das ideias. “Normalmente falo-lhes do problema e todos sabem que no princípio do processo criativo tudo o que sai da boca para fora é válido. Tentamos não fazer julgamentos negativos e sim construir em cima da ideia ou palavra apresentada”, conta Pinheiro de Melo. “Gosto e dou valor a algumas metodologias mas acho também que o caos e o risco da falta de processos e preparação são variáveis importantes na obtenção de ideias”, conclui.