por, João Paulo Meneses
O video na rádio?
Acredito que ainda há quem se espante e, mais, recuse desde logo a ideia.
Mas nem a rádio é – será – o que foi nem o vídeo é o mesmo que televisão.
Vídeo na rádio? Vídeo na rádio é televisão, dirão.
Nada mais errado.
A questão é que todos nós, portugueses ou não, passamos cada vez mais tempo na Internet (25% do tempo total dedicado a meios de comunicação, segundo a Havas Media). E já não é possível entender a ideia de rádio sem lhe associar uma página na Internet, com diversidade de ferramentas/conteúdos.
Um deles terá de ser a imagem – o vídeo.
É que o vídeo tem uma capacidade de atracção muito grande; e o fenómeno do YouTube, pendurado na generalização da banda larga, veio popularizar a ideia de «clip» que se pode associar à rádio.
Mas o vídeo tem uma outra grande vantagem: a rádio das últimas cinco décadas, desde a televisão, é sobretudo secundária, ouvida em acumulação com outro acto, este primário – correr e ouvir rádio, conduzir e ouvir rádio, estudar e ouvir rádio.
A rádio, porque apenas recorre a um sentido, permite essa acumulação, que resulta na sua secundarização (em sentido literal ou metafórico). É por causa desta secundarização que, em todos os mercados, os valores de investimento publicitário estão abaixo das audiências, como se a indústria descontasse e fizesse a diferença entre ouvir e escutar.
O vídeo é, ao contrário, um conteúdo primário – que vai aumentar o tempo de atenção à «rádio» (na próxima crónica falarei disto, de continuar a chamar rádio… à rádio!).
Daí que me pareça imperioso as rádios portuguesas seguirem, o mais rápido possível, a tendência que começou nos EUA, inserindo vídeos nas suas páginas – de música, quando se tratar de rádios de música; de actualidade (ou com ligações à actualidade) quando se tratar de palavra. Um exemplo que pretende mostrar como é fácil e como a questão dos direitos nem se coloca: recentemente um jogador do Barcelona, Messi, marcou um golo que muitos associaram a um outro de Maradona. Está no YouTube, é só ligar… Obviamente que com direitos de transmissão de alguns clips de actualidade a rádio ganhará (permutando com som, por exemplo?), mas isso é outra conversa.
O essencial é a ideia de imagem estar presente entre a oferta de conteúdos. Uma câmara emitindo a partir do estúdio de emissão, uma câmara na própria redacção (a uma distância razoável, por exemplo) ou uma câmara mostrando o relatador de futebol em acção podem ser conteúdos interessantes. E facilmente resolvidos do ponto de vista técnico.
Quem se espantar, agora, só irá demorar mais tempo.
É esse o problema dos velhos meios. Olham para os novos pelo retrovisor e, como disse o cada vez mais actual McLuhan, caminham de costas em direcção ao futuro.
Jornalista da TSF e investigador
jpm@tsf.pt