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Protagonista :: Publicidade

O balanço de Judite Mota

11 de Maio de 2007 às 16:21:00, por Maria João Lima

A meio do Festival do Clube de Criativos, o M&P falou com Judite Mota, presidente do Clube, para saber o que correu bem e mal na edição deste ano

Meios & Publicidade (M&P): Qual é o balanço que faz desta edição?

Judite Mota (JM): O balanço é positivo, por um lado, e menos positivo por outro. É positivo porque houve uma grande participação em número de trabalhos inscritos. Falei com alguns elementos dos júris e eles estavam contentes com a qualidade geral do trabalho. Havia trabalho interessante. Tivemos até agora duas conferências que foram verdadeiramente extraordinárias. A coisa menos positiva é que estas duas extraordinárias conferências tiveram adesões de público muito abaixo das expectativas. Fiquei contente porque as pessoas que andavam por lá eram muito jovens e isso dá-me esperança para a geração futura. Mas temos todos muito a aprender e tenho pena que não fossem mais pessoas. De resto está a correr bem.

M&P: A questão do orçamento para montar o festival continua a ser o maior problema?

JM: A principal dificuldade é sempre o dinheiro. Apesar do festival este ano ser no São Jorge e termos tido menos construção de décor do que tínhamos na Estufa Fria, apesar disso houve custos elevados. O espaço foi cedido gratuitamente, mas a exposição dos trabalhos, a limpeza das salas, trazer as pessoas, a estadia em hotéis, tudo isso custa muito dinheiro. A principal dificuldade é sempre angariar patrocínios. Nós vivemos de patrocínios e da mesma maneira que os criativos não se sentem mobilizados para aprender qualquer coisa, os clientes não se sentem mobilizados a ajudar os criativos a aprender mais e no final de tudo produzir um melhor trabalho para eles próprios. É um ciclo. Às vezes sinto-me á beira de desistir porque parece que ando a insistir só porque somos teimosos. Às tantas vamos ter que desistir e fazer só o festival, que são os prémios, que parece que é a única coisa que interessa ás pessoas. Acho que muito mais interessante do que os prémios é aprender com pessoas que falem de muitas coisas e não só de publicidade. Para a maioria dos publicitários, pelos vistos, os prémios é que interessam.

M&P: Como é que pode convencer mais criativos a participar nas conferências?

JM: Cada membro da direcção que trabalha nas agências faz o seu trabalho dentro da agência. Manda um mail diário a dizer as horas, quem é, o que fez A base de dados do CCP recebe também diariamente um e-mail. Está sempre na newsletter do M&P e do Briefing. Está online, está no blog. Não sei que mais podemos fazer. Só se pegar nas pessoas e as levarmos ao colo. As pessoas, quando vão, gostam e percebem que é importante. O pior é levá-las até lá. Temos começado as conferências ás oito. Marcamos para as sete. A essa hora não há ninguém. Às sete e meia começam a chegar e temos começado ás oito, que é tardíssimo.

M&P: E para 2008, o que espera?

JM: Gostava que para o ano o festival continuasse a existir neste formato mais alargado e que as pessoas participassem mais.