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Protagonista :: Media

“No segundo ano espero estar á frente das nossas concorrentes”

12 de Janeiro de 2007 às 16:16:00, por Carla Borges Ferreira

luis osorio

Nos próximos dias a Media Capital Rádios vai transformar o Rádio Clube Português numa estação de «actualidade». Luís Osório, director do projecto, explica como vai ser o novo RCP e quais os seus objectivos

Ultrapassar a TSF no final do segundo ano e transformar o Rádio Clube Português numa estação de refrência «muito rapidamente» são dois dos objectivos de Luís Osório para o novo Rádio Clube Português, projecto que será lançado nos próximos dias. Os jornalistas João Adelino Faria e Henrique Garcia serão duas das caras da estação, definida como uma uma «rádio de actualidade».

Meios & Publicidade (M&P): O que é que o Rádio Clube (RC) vai trazer de novo ao panorama radiofónico?

Luís Osório (LO): Espero que uma nova forma de fazer rádio. Se começássemos com a ideia de querer ser como a TSF, ou fazer parecido, era um projecto totalmente condenado a morrer. A única forma que conheço de conseguir ter viabilidade e marcar o panorama da comunicação em Portugal é ser diferente de todos os concorrentes e conseguir oferecer ao mercado um projecto que seja único, capaz de ganhar vários segmentos e muitas pessoas diferentes entre elas. É um projecto que tem a ambição de muito rapidamente conseguir ganhar espaço e afirmar-se pela diferença. A campanha que vamos ter na rua tem como frase forte “Diferente, por si”.

M&P: Como é que essa diferença se vai sentir em antena?

LO: Desde logo na forma como a grelha está construída. Não vamos ter espaços como a nossa concorrência, no mercado dito generalista ou de informação, que basta ouvir para perceber que não existem muitas diferenças. Há algumas nuances, mas basicamente quando ouvimos a TSF, a Antena 1 ou a Renascença de manhã, ouvimos depois uma espécie de follow up informativo á tarde e soa tudo mais ou menos ao mesmo. Nós temos uma grelha construída em cima de personalidades. Os nossos pivots vão tentar fazer com que a rádio volte a ser um espaço habitado por pessoas que marcam posições e que podem fazer com que as suas individualidades criem um elo muito forte, a que podemos chamar projecto global. Depois, a diferença começa logo no programa da manhã, o único de que se falou até agora, alicerçado no João Adelino Faria e que começa ás 7 da manhã e acaba ao meio dia. É um programa em que nos comprometemos a ter notícias exclusivas. Não sendo uma rádio de notícias, o Rádio Clube é uma rádio que vai ter notícias exclusivas. Uma rádio que quer ganhar o mercado de influência não pode deixar de ter as notícias que os outros não têm.

M&P: Porque é que definem o RC como uma rádio generalista e não uma rádio de informação?

LO: Porque não é uma rádio de informação tout court.

M&P: Por informação normalmente referimo-nos a notícias e palavra.

LO: É uma rádio de actualidade, não é uma rádio de informação. Há muitas coisas na actualidade que não estão intimamente ligadas aos conceito de referência na informação. O programa da tarde, por exemplo, vai olhar para a actualidade de uma maneira completamente diferente do da manhã. Os dois são complementares, aliás toda a grelha está construída de forma a criar uma ideia de complementaridade, não há programas que aparecem como extra-terrestres, mas são projectos que olham para a actualidade de formas muito diversas e nem todas elas podem caber no conceito de informação, tal como o definimos.

M&P: Então se calhar é muito mais uma rádio de actualidade do que generalista, se pensarmos numa generalista como um projecto que quer todos os públicos, desde a dona de casa ao adolescente.

LO: Mas nós queremos todos os públicos. Queremos por exemplo, o Luís Filipe Borges vai sair da RTP para fazer um programa diário humorístico, entre as 19 e 20h, sobre futebol. Portanto nós queremos atingir todos os públicos, queremos os públicos de referência, A/B, mas também C e D, todos os que se queiram rir um bocado.

M&P: O humor do Luís Filipe Borges seria muito mais comparável aos Cromos da TSF do que

LO: Os Cromos da TSF são dois ou três minutos. Uma coisa é poder marcar uma manhã informativa, como a TSF faz com os Cromos, com dois ou três minutos que são uma rubrica que funciona como um corte na emissão, mas não é estruturante na programação. Nós temos espaços estruturantes Ao sábado e domingo vamos ter um programa de cinco horas hiper popular, a jogar no mercado dos programas que atingem o maior número de pessoas em Portugal. Vai-se chamar Tudo é Possível, com Paulo Ferreira de Melo, que é uma grande figura da rádio que faz normalmente trânsito. Vai acompanhar a actualidade desportiva mas vai ter um concurso, olhar para o mundo cor -de-rosa, ter estrelas da televisão, música ao vivo Em teoria não é um programa para o mesmo público que ouve o João Adelino Faria de manhã. O Zé Candeias, que veio da Renascença há quatro anos, mas que por um motivo ou por outro nunca fez aquilo que sabe fazer muito bem e pelo qual é uma estrela de Rádio

M&P: Foi uma das grandes transferências do início de Pedro Tojal.

LO: Exactamente. Quando veio para aqui era uma estrela de rádio, as pessoas já se esquecem. Era uma estrela na madrugada, chegava a fazer programas com centenas de pessoas na rua á porta da Renascença a tentarem falar com ele. Então porque não aproveitá-lo num grande programa popular? Vai fazer o lançamento do programa da manhã, das 4 ás 7h.

M&P: A grelha do RC (ver caixa) não parece ter muito a ver com o conceito de televisão generalista de que falou na conferência de imprensa onde anunciaram a criação do projecto.

LO: Não perceberam bem ou, provavelmente, eu expliquei-me mal. Eu falei da televisão e da rádio e disse que esta era a rádio que se iria aproximar mais do que as pessoas imaginam ser o conceito de televisão. Não na programação, apesar de ter programas claramente televisivos, como o do Paulo Ferreira de Melo. Mas a rádio Quando cheguei á Media Capital fui a um jantar de Natal e havia a TVI e os outros. Na RTP, com as empresas agregadas, era a televisão e os outros. Na Impresa exactamente a mesma coisa Há a televisão e os outros, nem sequer são partners, são pessoas que foram perdendo o amor próprio ao longo dos tempos. O que quero dizer é que esta estação vai nascer sem nenhum tipo de complexo, é para ganhar e olha para a televisão como mais um meio de comunicação. Nós queremos dar muito mais notícias do que as estações de televisão, queremos ser muito mais influentes Pode-me dizer que é uma megalomania. Não é, é recuperar para a rádio o estatuto de grande influência que já teve. E deixou de ter muito por culpa dos profissionais da rádio. E quando quero aproximar a rádio da televisão, quero aproximar a rádio do conceito de respeitabilidade que a televisão tem.

M&P: Acha, e sem nenhum juízo de valor, que o conceito de respeitabilidade é mais associado á TVI do que á TSF?

LO: Enfim, eu espero que venha a ser á Rádio Clube A TVI é generalista e a TSF uma rádio de informação. O trabalho do José Eduardo Moniz não tem dado nenhuma hipótese, a nenhuma concorrência. Agora, a TVI não é uma estação de informação de referência, é uma estação generalista que também tem informação, e por isso acho uma comparação injusta. O que posso dizer é que o Rádio Clube não vai ter nenhum tipo de preconceitos. A primeira coisa que disse ás pessoas neste jantar de Natal foi “vão de cabeça erguida, porque nós estamos aqui para ganhar e somos ganhadores”. E não podemos querer conquistar o país de outra maneira. O país, se o Rádio Clube não nascer, não pára, não precisa de nós. Ninguém precisa de ninguém até o espaço ser conquistado e nós queremos conquistar esse espaço. Mas para conquistar o espaço e atenção das pessoas precisamos, em primeiro lugar, de nos respeitar a nós e ter muito orgulho em nós. Portanto, cada pessoa que trabalha comigo sabe que neste momento a perspectiva que tem de vida é diferente da que tinha há seis meses

M&P: Conta com uma equipa de quantas pessoas? Contrataram cerca de 20, como estava previsto?

LO: Em Lisboa somos cerca de 70 e temos mais 22 ou 23 pessoas nas rádios locais. Fizemos entre 25 a 30 contratações, com colaboradores. Para nós o orçamento é sagrado e conseguimos todas pessoas que queríamos como primeira opção sem alterar o budget, e isso é muito importante. É uma prova de confiança. Sabemos que não há liberdades nem vitórias sem um controle orçamental rigoroso. Estamos muito cansados de grandes projectos que depois nascem com pés de barro porque não souberam preservar aquilo que é essencial, que é um espaço de tranquilidade e respeitabilidade com os números. M&P: Quanto tempo é que a Media Capital dá para ter retorno com este projecto.?

LO: Essa é uma resposta que eu não posso dar, acho que não faz muito sentido. Mas o tempo que dá é justo.

M&P: Pergunto doutra forma. Enquanto director, em quanto tempo espera tornar o Rádio Clube um projecto rentável?

LO: Enquanto director eu quero que este projecto seja ganhador e não rentável. Este projecto tem um director comercial, e outras pessoas, que por uma questão de ética faz mais sentido que falem sobre isto. Mas quero que seja um projecto ganhador e que marque a sociedade portuguesa num espaço muito reduzido de tempo. Que marque a sociedade portuguesa no espaço de um ano. O próximo ano é de afirmação, mas muito agressiva, do projecto. No segundo ano espero estar á frente das nossas concorrentes.

M&P: Propõe-se a ultrapassar a TSF no segundo ano?

LO: Sim, no final do segundo ano.

M&P: Qual é exactamente o vosso target? Na conferência de imprensa disse que era uma estação para todos os públicos, o que é um conceito demasiado abrangente.

LO: É abrangente demais. Acho que é uma rádio que tem um target definido para cada um dos espaços de programas. Há programas que pela sua própria essência têm targets muito mais alargados. O programa do Luís Filipe Borges tem um target que vai com certeza até aos 55 anos, mas com um espectro alargadíssimo. O João Adelino Faria terá um target entre os 30 e os 55 anos. Mesmo assim, neste que é o nosso programa de hard news, eu amplio o nosso target. Normalmente o target dos projectos com muita informação é entre os 35 e os 50 e eu quero ampliar.

M&P: E mulheres? As rádios de informação são marcadamente masculinas.

LO: Por isso a nossa grande aposta das 17/19 horas, em que a pivõ é uma mulher, e que vai dar da actualidade imagens mais criativas, não óbvias, que pode interessar muito ás mulheres. O programa da tarde no Porto é conduzido por uma mulher e em Lisboa, e para o Sul, pela Teresa Gonçalves e pelo Aurélio Gomes, uma das pessoas da rádio mais apreciadas pelo universo feminino. O Daniel Sampaio também vai ter um programa para a família.

M&P: Acredita mesmo que pode ter uma divisão mais equilibrada entre homens e mulheres?

LO: Não vai ser uma rádio masculina. Não pode ser uma rádio masculina porque seria desrespeitar a grande amplitude do mundo. Nós temos que olhar o mundo de uma maneira muito global, senão não conseguiremos cumprir os nossos objectivos. E esquecermos que existe um olhar marcadamente feminino, como existe um olhar marcadamente masculino conseguirmos compatibilizar estes olhares sem perda de eficácia e sem criar guetos é o objectivo. Dou o exemplo da TSF que tentou fazer fóruns femininos Para nós não faz sentido nenhum. É uma espécie de dizer “não somos criativos o suficiente, então fazemos uma espécie de quotas apenas para chegarmos ás mulheres”. Não é assim que se conquista público Conquista-se naquela hora mas depois não se tem respeito pelas pessoas nas outras. Toda a nossa programação é feita com o cuidado de não ser só para homens. É também para homens e também para mulheres.

M&P: A programação local (Aveiro, Braga, Coimbra, Porto e Vila Real) é apontada como um dos trunfos. O objectivo é alargarem a rede de rádio locais?

LO: É essencial ter um crescimento a esse nível. Este projecto olha para o facto de não ser uma estação nacional, como a TSF não o é, e há uma grande diferença. Enquanto para a TSF não ser nacional é uma grande limitação, e estão a combater há vários anos para ser nacional, nós queremos o contrário, queremos continuar a não ser nacional para que consigamos uma cobertura nacional através da multiplicação de rádios locais. Este projecto só vai parar quando tiver nas suas horas locais programas diferentes em todas as capitais de distrito mais as principais cidades. Se de repente tivermos 30 programas a funcionar ao mesmo tempo, então é sinal que o projecto está em velocidade de cruzeiro.

M&P: Em quanto tempo é que pretendem alcançar esse número?

LO: Não me vou comprometer com nenhuma data, mas de certeza que dentro de um ano vamos ter mais do dobro das cidades.

M&P: E quanto a parcerias? Para além do Diário Económico vão ter mais alguma, nomeadamente com meios do grupo? Com a TVI, por exemplo?

LO: Normalmente nos grandes grupos as coisas estão muito segmentadas e creio que o renascimento do Rádio Clube foi uma oportunidade para podermos trabalhar em conjunto. A TVI tem sido inexcedível no apoio ao Rádio Clube e vamos continuar nesta colaboração muito estreita. O Henrique Garcia estar numa hora de prime-time só foi possível porque o José Eduardo Moniz também quis muito que isso acontecesse, porque existe uma estratégia de grupo.

M&P: Mas vai existir um espaço mais associado á TVI? Ou á Lux, á Maxmen?

LO: À Maxmen não, com a Lux talvez haja possibilidade de se fazer uma coisa ou outra. Mas está em aberto Há a Revista dos Vinhos, por exemplo. Neste momento uma parceria directa com a TVI não era bom para nós, ao contrário do que poderíamos pensar.

M&P: Era partir do principio que precisavam da televisão.

LO: O nosso projecto tem que ganhar sem a TVI. Havia um treinador de futebol que treinava um clube médio e quando jogava com os grandes nunca jogava á defesa. Levava quase sempre 4 ou 5 a zero, mas ás vezes ganhava. E quando lhe perguntavam porque é que não jogava á defesa, tendo uma equipa tão mais fraca, respondia “porque assim nunca saberei quando sou melhor do que eles”. É um pouco a mesma coisa. Se tivéssemos o apoio da TVI em todo o projecto, incluindo com programas que podíamos fazer em simultâneo, nunca saberíamos se este projecto ganhava pelo grande projecto que é ou pela grande força que a TVI tem. A TVI é um grande trunfo que não quero desperdiçar, mas deve ser utilizado sem perdermos a nossa identidade.

M&P: Mas vai ter jornalistas da TVI em directo no Rádio Clube?

LO: Sim, isso acho que sim. Não está completamente fechado, mas alguns correspondentes da TVI podem e devem entrar no RC, da mesma maneira que a TVI pode aproveitar os nossos correspondentes e histórias.

“Nós queremos o público da TSF”

M&P: Tinha sido dito que não vão concorrer directamente com a TSF e Antena 1. Já desmistificou essa ideia, ao dizer que as quer ultrapassar no fim do segundo ano. A audiência do RC está muito baixa

LO: Estão a 50% da TSF. Agora, não me posso fiar pelos dados de uma rádio de música e de oldies, mas apesar de tudo são duzentas e tal mil pessoas Muitas das pessoas que ouviam o Rádio Clube eventualmente não vão querer ouvir uma rádio que é completamente diferente. Passar de rádio de música para rádio de palavra é uma mudança muito brutal Ainda assim estou muito tranquilo, porque a reacção dos ouvintes do Rádio Clube musical ás mudanças é de grande expectativa. Um pouco porque tentei, e não por ser uma coisa estratégica mas porque tem a ver comigo e que passei para a equipa, ter uma postura de afectividade com as pessoas. Nós queremos que as pessoas estejam connosco, portanto eu gostava de não partir do zero. Se partíssemos com todos os nossos ouvintes seríamos líderes muito mais rapidamente.

M&P: E onde é que querem ir buscar ouvintes? Em Novembro afirmou ao Diário Económico que a ideia era que os vossos ouvintes, na altura dos noticiários, não tivessem que sair da estação. Mas não é suficiente Assumidamente, quer ir buscar os ouvintes á TSF e Antena 1?

LO: Sem dúvida e é nessa medida que falo muito na TSF e Antena 1. Não por sermos uma rádio que vai colidir com as grelhas que apresentam, mas porque nós queremos o público deles. Nós queremos o público da TSF, vamos fazer tudo para o conquistar e temos a convicção absoluta que temos um projecto melhor do que a TSF. Queremos conquistar os ouvintes da TSF, da Antena 1 E porque não da Renascença? E porque não ouvintes de rádios musicais, que vão ouvir a nossa rádio, porque vai ser uma rádio que vai tratar de assuntos e ter muitos programas que podem interessar a muita gente, em vários momentos do dia, e pessoas muito diferentes umas das outras?

M&P: Diz que tem um projecto melhor que a TSF. Quais são as fragilidades da TSF?

LO: Não posso falar das fragilidades da TSF, seria incorrecto. Mas falo de uma inevitabilidade. A TSF conseguiu uma coisa extraordinária, foi uma rádio que há 18 ou 19 anos conseguiu marcar o seu tempo, foi um processo revolucionário. Quando o Emídio Rangel, e todas as pessoas que estiveram ao lado dele, criou o conceito TSF, criou de facto uma nova forma de olhar para a comunicação e para a informação. Conseguiram revolucionar e conseguiram ganhar o respeito dos ouvintes, mas também o lugar na história. Isso ninguém lhes tira.

M&P: Mas?

LO: Nasceram apaixonados. Com a marca da paixão, da convicção, da ambição. Normalmente o grande problema dos projectos que nascem apaixonados é que a paixão, como nas relações, vai esmorecendo e ás vezes morre. Hoje, quando ouvimos a TSF, não ouvimos um projecto apaixonado. Por isso é que nós vamos retirar muitos ouvintes á TSF: nós estamos apaixonados. E as pessoas vão sentir a nossa convicção e a nossa vontade de ser melhores. Eles aparentemente estão imutáveis envelheceram. E no entanto têm grandes jornalistas, grandes pessoas. Algumas gostaria muito de ter aqui, são grandes mestres.

M&P: Está a pensar em quem?

LO: A pensar no Fernando Alves, em tantas noites, recostado a ouvir, e a aprender. É um exemplo extraordinário… Como o Fernando Correia, o Emído Rangel, como nos primeiros tempos o Zé Manuel Mestre, o Carlos Andrade Tantos jornalistas que foram passando pela TSF e que foram deixando uma marca muito forte. Essa marca hoje não se nota na TSF e tenho muita pena que isso não aconteça, porque era um grande estímulo. Agora, eu acho que a TSF vai melhorar com a nossa entrada. Estas palavras que parecem muito duras e muito publicitárias, não são nada publicitárias, são de um ouvinte também, de um consumidor. Quantos mais projectos tiverem paixão, convicção e notícias – que tratem bem as notícias, que surpreendam as pessoas – , melhor para a rádio. Quantos mais projectos existirem de qualidade mais o meu projecto pode também vingar e ter mais ouvintes. A concorrência faz com que os pessoas elevem o patamar. E isso será um grande estímulo para nós. Porque queremos estar aqui mas com a convicção que podemos ser todos os dias postos em causa e ser derrotados. E a TSF tem que melhorar bastante para sobressaltar o grande espírito de entreajuda e camaradagem que há aqui.

M&P: Com excepção de Fernando Correia, que já não estava lá, não foram buscar ninguém á TSF.

LO: (Risos) Há uma pessoa na TSF que nos interessa. Seria uma grande contratação…

M&P: Até que ponto o Rádio Clube será “inspirado” na Cadena Ser, estação da Prisa que também aposta na informação e na proximidade, embora dando mais importância ao desporto?

LO: Em alguns espaços é inspirada na Cadena Ser, a rádio de maior rentabilidade da Europa, a mais ouvida. O programa da manhã tem mais ouvintes do que toda a rádio em Espanha junta Este é um projecto português, para portugueses. Mas a Ser tem um modelo extraordinário e com uma virtualidade: não há nenhuma rádio parecida em Portugal. Acredito muito que algumas das coisas positivas da Ser podem ser exportadas para o Rádio Clube, nomeadamente essa capacidade de conseguir ter uma programação transversal e que possa interessar ao maior número de pessoas e o alargamento do prime-time. Talvez a aproximação mais visível seja o programa da manhã ser de cinco horas, como em Espanha. Mas como disse na conferência de imprensa, era o mesmo que lançar um jornal, ter o El Pais no grupo e por uma espécie de saloice provinciana dizer “não os ouço porque tenho um projecto imbatível”. Ouvi com muito interesse e aprendi muito, nos últimos três meses, com alguns dos directores da Ser e a colaboração vai ser muito próxima. E esse é outro dos motivos que me leva a estar optimista com este projecto, porque vamos estar muito mais rapidamente em todo o mundo do que toda a concorrência, porque o nosso grupo está presente em todo o lado.

M&P: Vai usar os correspondentes da Ser?

LO: É um trunfo que os nossos concorrentes não têm e tenciono aproveitá-lo.

A grelha

De segunda a sexta-feira

7 ás 12h – Minuto a Minuto, com João Adelino Faria: Cerca de 20 convidados em estúdio; Comentadores: José Pacheco Pereira, Maria Filomena Mónica, Dias Loureiro e é “praticamente certa a presença de todos os directores de jornais, com excepção do DN, embora tenham sido convidados”

12 ás 17h – Programação local: “É um magazine relativamente parecido no seu modelo, embora o conteúdo seja diferente porque é adaptado aos locais. Vai ter convidados, acompanhamento da actualidade local, fóruns,”

17 ás 19 – Janela Aberta, com Célia Bernardo: “Mais do que um risco é uma aposta que vai ser extraordinária para o mercado. É uma pessoa com uma grande personalidade, vai ser uma estrela de rádio em pouco tempo. Vai olhar para a actualidade de uma maneira criativa, completamente diferente, muito mais próxima das pessoas e dos afectos”

19 ás 20h – A culpa é do Sistema, com Luís Filipe Borges: “Vai descolar dos Pastéis de Nata, mas vai ser um programa muito politicamente incorrecto, onde se vai discutir futebol”

20 ás 20h30, a partir de Fevereiro: ” Um grande noticiário de economia, na redacção do Diário Económico”

20h30 ás 22h: Música, conduzido por Nuno Infante do Carmo,

22 ás 24h: Programa com o Henrique Garcia. “É outra grande aposta, porque não dou de barato que a rádio não possa ter audiência a essa hora. É um programa simples, com convidados, de quase de rescaldo do dia e de abrir o pano para o dia que vai nascer”. 0h ás 2h: “Um fórum intimo, com Sílvia Batista. É um bocadinho na senda do Passageiro da Noite, que foi um dos programas mais míticos da história da rádio. Queremos que ela faça aquilo que melhor sabe: conversar, ouvir, seduzir, amparar as pessoas que ligam”

Fim-de-semana – “Ao sábado o Daniel Sampaio vai ter duas horas de programa sobre família, entre as 11 e as 13h, o Nuno Rogeiro vai estar entre as 10 e as 11, com a Agenda Escondida. Ao domingo vamos ter duas horas de humor, como Nuno Costa Santos, um dos principais guionistas das Produções Fictícias”. Luís Osório vai estar em antena das 11 ás 13h, com Clube de Elite. “Vou fazer um programa com o Nuno Domingues. Vamos ter em estúdio os portugueses que, se morressem hoje, já ficavam na história”. Durante as tardes, a aposta recai em cinco horas de entretenimento, com Tudo é Possível, com Paulo Ferreira de Melo.

Desporto: “Interessa-nos estar só nos grandes acontecimentos. Talvez o primeiro seja o Porto/Chelsea. Vamos ser imparáveis. Quando fizermos é para ganhar mesmo, sem nenhum tipo de discussão”.

«Publicidade para nós é parte da programação»”

M&P: Disse ao DE que a publicidade seria parte integrante da informação e dos conteúdos. Como?

LO: Normalmente os directores olham para a publicidade instrumentalmente, como o elemento que vai fazer o projecto ganhar, ou não perder, dinheiro. Acho terrível Quando a publicidade tem um peso tão grande na programação, um director que não olhe para a publicidade como mais um desafio para a criatividade é alguém que não sabe fazer bem o seu trabalho. Publicidade para nós é parte da programação.

M&P: Na prática, como é que vai conseguir que seja mesmo?

LO: Vamos falar com os clientes para ter publicidade que seja diferente e tenha uma lógica muito mais criativa. É um desafio para o segundo semestre do projecto. Não quero que paguem á Media Capital e os meus ouvintes não possam ganhar nada. Quero que a publicidade seja parte da lógica da estação e estamos a encontrar formas criativas para que toda a gente fique contente e quando chega a publicidade Chegamos a ouvir os pivõs dizer “não saia daí, a publicidade é muito curta”. É terrível, eu se fosse anunciante provavelmente tirava a minha publicidade.