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Opiniao

Medir as audiências na rádio de hoje

12 de Janeiro de 2007 às 16:12:00, por Meios & Publicidade

Não haverá muita gente a defender o actual sistema de medição de audiências na rádio em Portugal. É verdade que o sistema não é muito diferente por cá (na periodicidade e na metodologia), mas isso não nos deve impedir de evoluir ou de exigir mais. Até porque, em diversos países da Europa, se assiste a uma adaptação da metodologia aos novos tempos da rádio.

Claro que a passagem para um sistema digital resolveria muitos dos problemas, mas, se mesmo nos EUA, 2006 não foi o ano do PPM (“Portable People Meter”, desenvolvido pela Arbitron), por cá não o teremos (ou a um seu evoluído) antes de 2008 ou 2009 – ainda assim, esse mesmo PPM já é, de alguma forma, uma realidade na Bélgica ou na Noruega.

Sem um audiómetro, vamos pensando toda a rádio em função do que nos diz trimestralmente o Bareme da Marktest. Mas o Bareme continua a ser feito, hoje, como há dez anos – para não recuar mais – com base em telefonemas para a rede fixa (para casa, portanto), sem ter em conta a deterioração dessa mesma rede e o aparecimento de novos operadores e sem cuidar de saber se a escuta se fez num computador, num telemóvel ou até num leitor de mp3 (ou mesmo através da Tv Cabo).

Mais do que o salto para a digitalização das audiências, que implica obviamente investimentos que por agora ninguém quer pagar, o que se pede é um novo tipo de abordagem das entrevistas telefónicas.

A rádio já não se ouve só no rádio e se os leitores multimédia nos automóveis ainda vão demorar dois ou três anos (em função da generalização das redes wifi ou WiMax), dados da própria Marktest mostram que há cada vez mais gente a ouvir rádio na net (um milhão e meio de pessoas, entre Janeiro e Setembro). Por outro lado, um estudo recente do Obercom mostrava que a rádio foi o meio que, em Portugal, melhor aproveitou a Internet.

Por tudo isto seria importante que o Bareme reflectisse os novos tempos que marcam a rádio. Só assim seria possível ter uma noção mais precisa do que é hoje a rádio também em Portugal – que peso tem a escuta nos telemóveis, quantas pessoas ouvem em leitores de mp3 ou quanto vale ainda o velho transístor. Essa adaptação permitiria também saber, com regularidade, o peso dos vários locais de escuta: casa, trabalho e transporte (próprio ou colectivo).

No fundo estamos a falar de mais algumas perguntas que o Bareme deveria incluir para permitir outra percepção da rádio do século XXI. Por exemplo: há cada vez mais canais na Internet que oferecem música em “streaming”, a partir de Portugal ou de qualquer outra parte do mundo. E rádios que só emitem on line. E rádios de outros países que, através da Internet, também têm por cá ouvintes. Que peso têm nas preferências dos ouvintes portugueses, sobretudo dos mais jovens? Ninguém sabe. Ainda assim, responderão alguns que são valores minoritários. Mas sobretudo entre os mais jovens há hábitos a mudar. E num panorama radiofónico, como o nosso, em que, das dez rádios mais ouvidas, sete são essencialmente musicais e em que a rádio musical valerá entre 70 e 80 por cento do mercado-rádio ao nível de audiências, talvez já se possa falar em mais do que valores simbólicos.

João Paulo Meneses jornalista da TSF e investigador