Têvê á custa do Zé Povinho, bem se vê!

Por a 1 de Fevereiro de 2002

Questionava há dias uma revista a possibilidade de sobrevivência dos três canais de televisão, dada a exiguidade do investimento publici-tário em 2002.

Esta dúvida tem de estranho o facto de estar atrasada no tempo, 10

a 11 anos! É que esta mesma questão põs-se em 1991, quando se abordou o aparecimento da televisão privada e, já muito concretamente, em 1992, a partir de 6 de Outubro, data do aparecimento, nos ecrãs, da SIC. Posteriormente e com mais acuidade em 1993, um ano completo para a SIC e o lançamento da TVI.

O investimento em televisão (Sabatina) em 1992 foi de 43,350 milhões

de contos. Em 1993 de 53,532 milhões de contos. Mas em 1992 a política de descontos só afectava em 15% em média os valores Sabatina, ou seja, o valor real seria de +/- 36,845 milhões de contos.

Em 1993, esse valor subiu já para 28% (média), o que levou a que 53,532 milhões de contos não fossem mais do que 38,550 milhões de contos. O mercado havia crescido pouco mais do que 4,5%. Mas agora, o queijo tinha de chegar para quatro canais! Dois da televisão pública, a SIC e a TVI.

Com todo o respeito pelos ratos, mas não chegando o queijo para to-dos, estes comem-se uns aos outros…

Se em 1992 a RTP já era deficitária, independentemente da sua es-

trutura de custos inflacionada, o que seria o futuro da televisão portuguesa, em termos de viabilidade?

Recordo que, nessa altura, um alucinado alto responsável da TVI

afirmava que o investimento publicitário para televisão iria crescer para 150 milhões de contos, nos próximos três a cinco anos. Alucinado, evidentemente!

Os operadores não podem, também, é ver na publicidade a sua única fonte de receita. Há que criar produto. Gerir por si próprios os direitos autorais e fazerem-se á vida.

Portanto, a questão dessa revista está atrasada pelo menos 10 anos!

Só me espanta é como é que tudo resistiu até agora. À custa do Zé Povinho, bem se vê.

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