G.R.P. — Gente que Repara nos Políticos

Por a 15 de Fevereiro de 2002

Desde finais de Novembro que há no ar uma panóplia de anúncios que usam e abusam do meio Exterior. São os anúncios do produto Barro-so, nova embalagem dos produtos regionais Rio e Lopes; são os anúncios do produto Ferro, no seguimento dos regionais Soares e Gomes; etc, etc.

Pensando na dificuldade que os operadores de publicidade exterior têm

habitualmente em legalizar as suas posições ou em criar novas, é fácil pensar que estes senhores políticos possam vir a ser contratados para solucionar estes problemas nas empresas da forma fácil com que o conseguiram nas suas campanhas.

Nem importa se é legal ou não. Não importa. Importa sim é entender a ética e a moral de quem abusivamente coloca painéis de 8×3 onde calha (e atenção que calha sempre nos melhores locais), mesmo que algumas das vezes a tapar em absoluto os painéis publicitários pa-

gos pelos anunciantes do nosso mercado.

A política, aqui, lava mais branco!

“Mamã, este senhor é o mesmo que pune os abusos da lei da publicidade, o que diz que não se deve usar crianças a fazer anúncios de adultos? É o mesmo?” Desculpem, mas eu reparo. Dr. Barroso, a ideia é óptima, mas teria mesmo de ser uma criança?

Talvez com um pouquinho mais de criatividade de meios se conseguis-se os mesmos objectivos de uma forma mais limpinha.

Já agora, fica aqui outro recado. Cannes está aí a chegar! Portugal tem campanhas de media boas, inovadoras e também criativas. Seria útil para todos uma representação em força das nossas agências de meios neste certame. A media não tem de ser aquela zona cinzenta da publicidade composta de cruzadores (os tipos das cruzinhas)!

E já que comecei por reparar na política, cá fecho com uma cotovela-

da política. Dr. Fernando Cruz, sinceros parabéns pela liderança do grupo de agências de meios da APAP. Não podia ser melhor a escolha.

Mas (há sempre um mas!) faça-nos lá o favor de tentar criar um código de ética para a abordagem que fazemos do mercado. Um pouco mais de respeito e transparência nos processos sería útil para todos, mesmo para os que acham que depois da concentração de centrais, da concentração de agências, venha a concentração de clientes.

Um destes dias, a bitola é: um grupo português, logo, tem as condições de todos os outros…

E confesso, assino por baixo da sua proposta e submeto-me ao primei-ro ralhete. É que errar acontece a todos!

PS – Só referi algumas campanhas eleitorais uma vez que não preciso

de ser politicamente correcto para exprimir a minha indignação.

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