Vende-se milagres!

Por a 18 de Janeiro de 2002

Defendem certos profissionais de marketing que as próximas eleições legislativas vão ser ganhas pela imagem. A discussão subiu de tom quando foi conhecido, com naturalidade, diga-se de passagem, que Edson Athayde era o responsável pela campanha de Ferro Rodrigues.

Não querendo aqui abordar os eventuais benefícios ou prejuízos futuros que esta associação poderá trazer para o publicitário brasileiro, numa coisa acredito: a tarefa de Edson é hercúlea. Desta feita, as eleições não vão ser ganhas ao som de Vangelis ou á conta do coração.

Edson sabe-o bem e já começou, inclusive, a mostrar trabalho. Edson sabe também que os portugueses já não acreditam em “paixões” e que de “razão” este Governo demissionário teve muito pouco. O slogan do primeiro cartaz socialista é “Chega de bota-abaixo”, acompanhado de uma mão em sinal positivo. Será que chega… para ganhar a simpatia dos eleitores? Perante dois candidatos que não são líderes carismáticos, será que vai ser o marketing a determinar o vencedor?

Tenho dúvidas! O marketing opera revoluções mas não milagres. Se assim fosse, como muito bem salientou Luís Delgado numa das suas últimas crónicas no DN, Paulo Portas era agora o presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Mais do que o “EU”, esta campanha vai ser definida em torno do “NÓS”. Nós, as figuras que acompanham os respectivos candidatos, e nós… os que votamos!

Para os lados da São Caetano á Lapa, Durão Barroso foi buscar Einhart da Paz, o mesmo que foi responsável pela campanha de Santana Lopes. Ou seja, ao brasileiro de Ferro Rodrigues, Durão Barroso responde com outro brasileiro. Até apetece perguntar se não teremos por cá profissionais competentes!

Mas adiante… Einhart também já deve saber que Durão não é Santana e que o que está em causa não são novos parques de estacionamento ou mais piscinas, mas sim um Portugal novo. De qualquer das formas, vou seguir o conselho do Tio do Edson: “Vote no candidato que prometer menos. Você ficará menos decepcionado.”

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