Quanto custa um boato

Por a 25 de Janeiro de 2002

O panorama mediático nacional, á imagem do que aconteceu um pouco por todo o mundo, registou profundas alterações na década de 90. Surgiram os grandes grupos empresariais de comunicação social, as centrais de compras de espaço publicitário, as agências de comunicação, novos segmentos ao nível da imprensa especializada — da informática á masculina, passando pela económica —, entre outros fenómenos. Não há dúvida de que os Media profissionalizaram-se e constituíram-se como uma indústria tão ou mais lucrativa como tantas outras existentes no espectro nacional.

Em Portugal, o facto de a Impresa estar cotada na Bolsa é, por si, sinónimo de que os meios de comunicação em particular e a comunicação em geral passaram a ser um negócio. E, se ainda assim, dúvidas subsistissem, bastaria verificar o surgimento de Media a escrever sobre Media e de editorias especializadas nos negócios dessa mesma indústria.

Apesar de estarmos na Era da Informação, é curioso verificar que os Media não sabem comunicar-se. Conhecem o conceito, vendem-no e aplicam-no aos outros, mas colocá-lo em prática em casa própria é que é uma “vaca sagrada”.

Na prática, o sonegar de informação da indústria dos Media ou que gravita em torno dela continua a ser uma prática comum e as notícias do meio, regra geral, vêm sempre de “fontes próximas do processo”.

Nunca li um diário ou semanário noticiar o despedimento de profissionais seus. Regra geral, lê-se na concorrência, e por “por-tas travessas”. Os riscos de uma informação mal dada e o surgimento de boatos, ten-do em conta que estamos perante a tal “indústria” que, inclusive, está cotada em Bolsa, são enormes. Será que custa comunicar bem? Ou ainda continua a dominar a velha máxima popular: façam o que eu digo, não façam o que eu faço?

Um aparte: não deixa de ser curiosa a questão dos problemas deontológicos levantados á maioria dos jornalistas quando confrontados com o dever de informar os leitores sobre eventuais negócios de títulos pertencentes ao grupo editorial em que os próprios estão inseridos.

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