Para onde vais, RTP?

Por a 18 de Janeiro de 2002

Imagine-se que Manuel Luís Goucha, o rei das manhãs, trocava a RTP por um canal da concorrência. Imagine-se, ainda, que José Rodrigues dos Santos, talvez o nosso melhor pivõ de Informação, cansava-se dos “homens-sombra” que lhe arranjaram na 5 de Outubro e deixava o Jornalismo activo para passar a dar aulas a tempo inteiro.

O que seria, en-tão, da estação pública que alguém se lembrou de dizer, agora, que faz parte da nossa vida? Até é possível que, de certa forma, a RTP faça parte da vida de muitos de nós. O problema é que, sinceramente, somos cada vez menos a fazer parte da vida da RTP. E aí é que importa — de uma vez por todas — saber quem contribuiu para a situação “pantanosa” em que está mergulhada a “televisão de Portugal” que menos interessa aos portugueses.

Não basta dizer que, no passado dia 10 de Janeiro, a Rádio Televisão Portuguesa atingiu o seu mínimo histórico (com escassos 16 por cento de “share”). Mais importante do que isso é saber onde estão os responsáveis — chamá-los todos, um por um — e perguntar-lhes se têm a consciência tranquila. Talvez não tenham, mas vão dizer que sim, que têm.

Até porque muitos deles, dos que conduziram a estação a este estado, continuam a passar por lá ao final de cada mês. Basta! Portugal não pode continuar a gastar milhões de contos, por ano, para fazer um canal que é diariamente rejeitado pela esmagadora maioria da população. É totalmente inconcebível — vergonhoso, mesmo — saber que existem na 5 de Outubro “prateleiras” para dezenas (centenas?) de profissionais a quem se continua a pagar para nada fazer. E depois, sempre que há uma troca de director (e têm sido tantas…), lá começam a aparecer os nomes das novas estrelas a quem se pede o “milagre” de endireitar o que está torto há não sei quantos anos!

Esperar pelas próximas eleições legislativas de Março para ver o que acontece é, pelos vistos, a única coisa que nos resta. Até lá, é perfeitamente possível que o “share” da RTP volte a bater recordes negativos, que seriam, seguramente, ainda muito mais gravosos caso os direitos dos jogos de futebol não pertencessem ao Canal 1. Emídio Rangel não deve — nem pode! — ser considerado o principal responsável por este desastroso início de 2002. Mas tem, claro, algumas culpas neste quadro negro que agora tem á frente.

Alguém ainda se recorda, no momento em que Rangel surgia pela primeira vez ao lado de João Carlos Silva, do parecer negativo da Alta Autoridade para a Comunicação Social? E alguém ainda se recorda, também, da reacção de Rangel a esse mesmo parecer? Pois é, a memória dos homens é curta. Só o tempo se encarregará de fazer justiça — seja para que lado for.

Mas, hoje, ninguém duvida que Rangel está praticamente abandonado e entregue á sua sorte. No fundo, o seu sentimento não podia estar mais de acordo com o título da sua mais recente aposta (falhada!) para o horário nobre: “Um Estranho em Casa”. Engraçado, não é?

Deixe aqui o seu comentário