Marketing da Nação

Por a 11 de Janeiro de 2002

A poucas semanas das eleições legislativas antecipadas e depois de

sete anos de governo socialista, onde a estratégia para o país se

confundiu em grande parte com os desafios da Internacional

Socialista e com a visão assente na Terceira Via — um misto entre o

novo socialismo (Wellfare State) e economia de mercado —, Portugal

tem urgência em repensar o marketing da Nação.

Durante os últimos quatro anos assistimos a um conjunto de asneiras

económicas que estão a ter repercussões drásticas no nosso modelo de

organização e desenvolvimento. Como foi o caso da política anti-

reformista dos governos do engenheiro Guterres, que levou á criação

de mecanismos sociais como foram os subsídios ao “não trabalho”. Por

outro lado, verificou-se a permanente repartição do bolo orçamental,

sem respeito pelas normas de gestão financeira,

e que resultaram, no caso dos subsídios indirectos aos produtos

petrolíferos, no descalabro das contas públicas e nos sucessivos

Orçamentos Rectificativos.

Portugal é hoje um país pouco credível do ponto de vista económico-

financeiro. E, como resultado, uma Nação com má imagem no seio da

União Europeia. Se tivermos em conta que nos últimos dois anos

precisámos de receitas extraordinárias anuais de mais de 100 milhões

de contos — como foi o caso, em 2000, da venda das licenças para a

terceira geração móvel (UMTS) e, em 2001, a tentativa de alienação

da infraestrutura de telecomunicações do Estado á PT —, concluímos

que a gestão das contas nacionais foi extremamente negativa para a

imagem do país.

Mas uma nação não se mede só pela credibilização da sua política

económica. Mede-se também pela agressividade do marketing da nação e

pela aplicação de recursos públicos e privados, na assunção de

critérios objectivos na promoção do que somos, do que queremos, do

que fazemos melhor. Reflecte o seu povo.

Em termos objectivos, não consolidámos uma única formulação de metas

ou programas. Assentámos um modelo de país no marketing pessoal do

primeiro-ministro. Ou António Guterres podia presidir aos destinos

da União Europeia? Ou António Guterres era o eterno candidato aos

mais altos cargos em instituições mundiais? O país, lá fora,

confundia-se entre a dinâmica pessoal do primeiro-ministro, a sua

promoção fora das fronteiras e o seu deslumbramento pela Terceira

Via.

Perante estes factos, resta ao futuro governo não só conduzir e

credibilizar a economia, mas, em primeiro lugar, devolver ao país um

modelo de desenvolvimento estratégico. Para isso, é imperativo

promover o marketing real da nação, abandonando as linhas das

Grandes Opções do Plano (GOP) e, em sua alternativa, apostar num

modelo de eficiência e transparência.

A nova geração de governantes deve concentrar os seus esforços na

capacidade de elaborar novas soluções para promover o país. É este o

grande desafio do futuro primeiro-ministro.

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