Sem certezas

Por a 6 de Abril de 2001

A queda ou não do investimento publicitário de que tanto se fala desde o princípio do ano é um problema para quem trabalha a informação. Não há dados concretos e escreve-se sobre o “diz que se disse”. Não há qualquer dúvida de que o investimento feito em publicidade pelas empresas de telecomunicações foi o que fez aumentar significativamente esse montante no ano passado e que deu o resultado que todos viram.

Mas o início do milénio não está a dar tréguas a ninguém. O clima de incerteza em relação á Bolsa, aos investimentos dos agentes macroeconómicos associados a um conjunto de falhanços das empresas dot.com, assim como o banho-maria que se “vive” no mundo das ideias políticas, leva a que a palavra crise não seja muito clara, mas sirva de justificação e esteja subjacente a determinados acontecimentos: a queda da Bolsa — crash ou não crash —, os despedimentos em massa na internet, o querer entrar em Bolsa e verificar que o momento não é o ideal… É que ninguém parece ter já a certeza de nada. A Bolsa está a cair, mas não é um crash. Então o que é?

Na política, a cantoria não é diferente. É preciso uma alternância de poder que não se organiza, ou que parece não querer ser poder.

Lá fora, o incidente com o avião de espionagem norte-americano que os chineses já violaram está a dar água pela barba ao Presidente americano, que não sabe o que há-de fazer. Se isto acontecesse há uns tempos, se calhar não havia dúvidas de como agir. O problema é que se reage aos acontecimentos e não em cima deles.

Toda a gente se queixa. Das produtoras ás agências de publicidade, das publicações que se fecham para abrir outras a ver se pega, das fusões e aquisições levadas a cabo para adquirir massa crítica. Mas quando chega a hora de dizer qualquer coisa cá para fora, parece que está tudo controlado. É bem dizer bem. Nada está bem, embora pareça estar. Criou-se um estigma de que o que é mau não pode ser do domínio público. É segredo. Por isso é que alguém que normalmente diz umas verdades por vezes se “excede” nas críticas, como foi o caso de António Pires de Lima.

Ficamos assim. Sem certezas. Sem saber se o investimento publicitário caiu ou não. Ou melhor, só sabemos uma coisa: é que as salas de chuto não vão ser nos jardins de São Bento.

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