Grande umbigo

Por a 12 de Abril de 2001

Falta de pudor e de auto-estima é coisa que não falta á SIC. O canal de Carnaxide não tem vergonha nenhuma em dizer á boca cheia que é o maior em tudo. Aliás, os seus responsáveis pensam que não há melhor campanha do que essa. Nos Globos de Ouro, a SIC quis mostrar que tem os melhores programas, a melhor informação, os melhores profissionais. É muito bom ver que os magos da comunicação sabem dar valor a si próprios e conseguem gerir o seu grande umbigo de forma a acreditarem que isto reverte sempre a seu favor. Francisco Pinto Balsemão e Emídio Rangel não cabiam em si de contentes com a festa. Nos balões que a produção colocou durante o espectáculo faltou põr: “De facto somos os melhores”.

Esqueceram-se foi de olhar para o que se passa no umbigo dos outros. O feitiço já se virou contra o feiticeiro. Nada de novo. Os conflitos gerados entre as televisões e o papel que este meio assumiu nas notícias têm de mudar a forma de olhar quem gere este negócio. O que se diz é tão importante como o que se faz. A TVI assumiu uma postura de indiferença em relação aos Globos de Ouro que não passou despercebida. Uma televisão que atribui prémios á televisão precisa que as outras também sejam premiadas. Ou então o jogo está viciado. Caiu-se no ridículo e na descredibilização. A SIC conquistou todos os prémios de televisão. As outras três, nenhum. Será que a estação de Carnaxide tem o monopólio dos melhores programas, assim considerados pela esmagadora maioria do público? É difícil acreditar! Talvez por isso os Globos de Ouro tenham ficado em sétimo lugar nas audiências. Nem Ornella Mutti nem Maitê Proença foram argumentos suficientes para convencer os telespectadores. É disso que se trata, não é? Pois! A TVI não entrou no jogo de dar a cara e contribuir para a subida das audiências. Ou seja, não quiseram estar presentes numa festa que acreditavam estar viciada. Como a mulher de César, não basta ser, é preciso parecer. Teria sido melhor para a imagem da SIC que alguns prémios fossem atribuídos pelo menos á RTP. Parecia bem.

Entre os melhores dos melhores estiveram as intervenções de Rodrigo Guedes de Carvalho e de Carlos Cruz. Porque olharam para os umbigos dos outros e não se esqueceram de dizer que se faz jornalismo competente em Portugal e que os não nomeados também contribuem para o bolo da qualidade, tanto dos programas como da informação.

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