Pagar, por que não?

Por a 30 de Março de 2001

Pagar ou não pagar conteúdos na internet. A doutrina dos que fazem a opinião internética diverge. Para alguns, isso ainda está muito longe. Para outros, é uma realidade “seguramente” mais próxima do que se imagina. Com o anúncio do projecto de que o “Expresso Online” poderá a vir a ser pago através da internet, Francisco Pinto Balsemão põs inevitavelmente os donos de conteúdos, especialmente os que veiculam a grande informação, se não a falar, pelo menos a pensar no assunto. É que isto não é novo. Mas só pelo facto de o patrão da Impresa levantar a lebre faz com que os coelhos saiam da cartola.

A lógica é simples. Sites com informação privilegiada dirigida a um público específico… A informação é um instrumento cada vez mais valioso. Se não é, então vamos torná-la. É exactamente disso que se trata. Ou estaremos todos a falar chinês? Tudo se resume a um problema de rendibilização de um negócio no qual já se perderam milhões e todas as semanas se despedem dezenas de pessoas ou se inviabilizam completamente os negócios.

O pagamento de conteúdos na internet é uma inevitabilidade. Existem hoje muitas publicações online que são “seguramente” muito boas, mas não tiveram ainda tempo de construir a marca. O risco é que a passagem do offline das grandes marcas faz com que aquelas que não conseguiram a notoriedade indispensável online sofram, mais cedo ou mais tarde, as consequências do caminho solitário que se percorre na web. Ninguém gosta de investir em projectos que não dão frutos, também por razões de conjuntura internacional, é certo. Mas ter de despedir pessoas que se aliciou para ganhar grandes ordenados, que deixaram bons cargos em sólidos grupos editoriais e que agora se vêem sem emprego e perspectivas na internet…

Também é verdade que, até agora, a maior parte da informação gratuita disponível foi um factor essencial para a proliferação de utilizadores, sendo assim possível chegar a um ponto em que se pode inverter as regras do negócio. Há muitas condicionantes. Neste momento, a gestão de conteúdos está na fase da puberdade — já se sabe muita coisa, mas ainda tem de se obedecer aos pais.

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