A roda das mudanças

Por a 9 de Março de 2001

A RTP passou a transmitir os jogos da Santa Casa, que para já são intercalados na programação regular. É o fim da saga que opõs a SIC áquela instituição

Depois de alguma agitação, a transmissão dos jogos da Santa Casa da Misericórdia acabou por ficar entregue á RTP. Já desde segunda-feira que assim é, embora os vários jogos não tenham sido transmitidos num só bloco, mas sim intercalados na programação regular do canal 1 da televisão estatal. A transformação mais visível consiste na passagem da “Roda dos Milhões” a formato diário, apresentado por Nuno Graciano desde quarta-feira passada, entre o magazine “Regiões” e o “Telejornal”.

Os restantes jogos puderam igualmente ser vistos no Canal 1 desde segunda-feira. O Loto 2 após a emissão do “Telejornal” e a Lotaria Nacional entre o “Contra-Informação” e o “Quem Quer Ser Milionário”. Este cenário deverá manter-se durante as próximas quatro semanas, ocasião em que a RTP se propõe estrear um novo programa em que serão integrados os vários passatempos.

Toda esta agitação em torno do programa começou a 21 de Fevereiro, com um telefonema do director de informação da SIC para a Santa Casa, a dar conta da impossibilidade de a estação manter a transmissão da “Roda dos Milhões” á segunda-feira. Na semana seguinte, enquanto as diversas partes envolvidas aguardavam o desenvolvimento dos acontecimentos, as coisas complicaram-se. No dia 26, embora o Loto 2 e a Lotaria tenham sido transmitidos em prime-time, a “Roda dos Milhões” só foi para ao ar após a emissão das “Noites Marcianas”, a altas horas da madrugada.

Apesar de a SIC ter apresentado algumas sugestões sobre o novo formato da transmissão dos jogos da Santa Casa, nenhuma delas foi aceite, até pela rigorosa logística exigida, uma vez que «os jogos da Lotaria e do Loto 2 têm, forçosamente, de ser transmitidos na segunda-feira até á meia-noite. Após essa hora, uma vez que passa a ser terça-feira, a sua transmissão vai contra o que ficou estipulado no acordo que temos com o Estado, cujas regras foram publicadas em Diário da República, aquando da concessão destes concursos», explica a porta-voz da Santa Casa, Luísa Rangel. A mesma fonte acrescentou que a decisão da SIC foi recebida com alguma surpresa, «uma vez que até havia, da parte deles [SIC], algumas sugestões com vista á melhoria do formato».

Aparentemente, as audiências deste programa não têm apresentado uma oscilação tão grande que justificasse, só por si, a decisão de terminar com as suas transmissões. Segundo dados da Mediamonitor, os valores de share deste programa referentes ao dia 4 de Dezembro de 2000 cifraram-se em 37% e, apesar de na sua última emissão — 12 de Fevereiro de 2001 — terem descido aos 24,2%, retomaram, logo na primeira semana em que apenas foram transmitidos os sorteios (19 do mesmo mês), os 31,2%. O último registo disponível, referente a 26 de Fevereiro, avança com um share de 31%.

Quanto aos números relativos ao rating, a realidade é um pouco diferente. A 4 de Dezembro de 2000 este indicador assinalava 8,7% e, se a 12 de Fevereiro do corrente ano uma pequena oscilação o situava nos 8,6%, a última extracção (26 de Fevereiro) registou apenas 1,9%.

O sucesso da “Roda dos Milhões” — em tempos uma das “jóias da coroa” da programação do canal de Carnaxide — está agora noutras mãos. A bola, neste caso a roda, está do lado da RTP.

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