Na procura da definição

Por a 22 de Dezembro de 2000

Está escrito nos livros de História que os períodos entre final e princípio de século são normalmente conturbados e de muito tempo de indefinição no que respeita ao equilíbrio político, social e económico no mundo ocidental.

Este final, princípio de século não foge á regra por razões essencialmente económicas bem patentes nas diferenças existentes entre o Primeiro e o Terceiro Mundo. Não é preciso falar sobre as eleições norte-americanas e sobre o que aconteceu em torno dos dois candidatos á Presidência da considerada maior potência mundial para perceber todo o fenómeno. Basta olhar para dentro e os exemplos falam por si: a começar no Governo, que está numa espécie de banho-maria por razões sobejamente conhecidas que também não é preciso explicar; a continuar nos desequilíbrios de ordem social vividos dentro das empresas, devido ás fusões e aquisições; e a acabar no frenesim de consumo fácil e rápido do qual os meios de comunicação social são o espelho. Isto inclui, obviamente, a internet, também ela ainda com tanta indefinição e tantas agulhas por acertar. Tudo mexe na aldeia global, que apesar de ainda não ser já o parece e traz consigo uma revolução económica para o mundo, que será seguramente muito diferente daquele que hoje conhecemos.

Este período de indefinição é caracterizado pelas guerras entre clubes desportivos, as quezílias entre etnias, o fomento de grupos cada vez mais pequenos e com ideias diferentes que funcionam simplesmente como grupos de pressão. Finalmente, a televisão, as guerras de audiências que caracterizaram o ano 2000 e que agora culminam em grande com o anúncio de um programa a ser estreado para o ano, denominado “Acorrentados”. Foi a este ponto que chegámos, porque assim estamos acorrentados pelas audiências, pelos investimentos publicitários e pela exagerada valorização dos bem materiais, toda uma série de formas de viver o dia-a–dia que não deixa espaço para as ideias.

Mas o princípio do novo século e do milénio — e assim também se escreve a História — vai trazer novos tempos de mudança e boas surpresas para a geração que agora começa. No entanto, e pelo menos a curto prazo, não vai de certeza trazer melhores programas.

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