Internético

Por a 7 de Dezembro de 2000

Os portugueses estão cada vez mais cibernáuticos. Sabem as últimas notícias pelo computador, utilizam a web para consultar o saldo bancário e arriscam-se, ainda um pouco a medo, a aceder a alguns sites que oferecem serviços, só para ver como é. A época, que já é natalícia, é também propícia para se fazer contas ás page-views. Quantas mais, melhor. Melhor para as dot.com, melhor para os marketeers, melhor para que a publicidade atinja os targets. Mas embora o número de “visualização de páginas” não seja um índice de consumo através de internet, para já é isso que conta para as empresas e portais que já estão na web.

Os portais nascem como cogumelos e seguem-se os vortais. Sabe-se lá que mais “ais” irão surgir em 2001. A verdade é que Portugal está a ficar internético. Se calhar porque o primeiro-ministro António Guterres disse no princípio deste ano que a internet era fundamental e que o Estado tinha de apostar neste meio. O que é facto é que acertou. Os jornais online vieram para ficar e proliferam a uma velocidade estonteante. A quantidade e diversidade de páginas contém informação para todos os gostos. E quanto mais, melhor.

Até há pouco tempo, o Sapo era o único portal, enquanto agora já não chega a memória para decorar os que existem.

Isto pode provocar ainda uma certa nostalgia naqueles jornalistas que têm o prazer de sentir o papel e de sujar as mãos na tinta dos jornais. Mas para os jornalistas da nova geração, o papel deixou de ser o principal veículo de informação. Por duas razões: porque o computador é mais cómodo e porque as notícias conseguem ser mais frescas. A actualidade é uma das vantagens da informação na web. Até na rádio, a situação vai mudar. Não que deixe de se ouvir, mas os moldes em que funcionou até agora vão decerto ser alterados. Tudo a favor da net, do computador. Porque é fácil, porque é giro, porque é divertido e porque se descobre coisas novas todos os dias.

Aos portugueses só falta mesmo é falar para o computador. Como dizia Bill Gates na sua visita a Portugal, o futuro é poder dar ordens aos computadores para elevar a qualidade de vida com o que as novas tecnologias oferecem. É caso para dizer: o futuro ao homem pertence.

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