Oportunidade perdida

Por a 13 de Outubro de 2000

Não há dúvida de que existe um histerismo colectivo na adesão á internet. A corrida para ver quem chega primeiro, quem conquista os melhores clientes e consegue sobreviver nesta aldeia global é um factor de stress para quem quer ver a sua empresa ter sucesso. Mas não basta conceber sites, é preciso mantê-los, criar interactividade com o consumidor. É aí que se medem os resultados e para isso é preciso fazer depressa. As agências trabalham cada vez mais para este novo meio e já há algum tempo que estão preparadas para estas oportunidades. É tudo uma questão de euforia. Ultrapassadas as barreiras ás compras na internet através da utilização dos cartões de crédito, a rede fica á disposição do seu dono, ou seja, o consumidor. A verdade é que quase se está em estado de desespero pelo investimento, pelo lucro, que leva tudo e todos a não quererem perder este barco. Não perguntem o que a internet pode fazer por vocês, mas questionem-se sobre o que se pode fazer na internet. A APAN promove jornadas para debater o impacto dos novos meios nos anunciantes

Tudo acontece a um ritmo tão frenético que há empresas que crescem 100 e 200%. Talvez que o momento seja adequado ao aparecimento de alguns “velhos do Restelo” que possam analisar e refrear esta euforia. Faz parte e até era saudável que isso acontecesse.

Outro dos temas que estão na ordem do dia é a questão das aquisições e não aquisições dos grupos editoriais. Há semanas que se sabia que a Finantel iria comprar o grupo Euronotícias, embora ninguém quisesse confirmar o negócio. Em relação ao “Correio da Manhã”, que tão depressa está á venda como não está — nunca se sabe —, também não é possível tirar conclusões. Existe apenas um acordo de intenções entre a Presselivre e a Cofina para deixar tudo em banho-maria durante um mês, até ver… Ver se de repente surge uma oportunidade melhor. Só que hoje 30 dias é muito tempo, que é coisa que não tem quem quer agarrar as oportunidades. Trinta dias é uma infinidade de horas, minutos e segundos, de coisas novas a cada clic que se faz enquanto se navega na internet, enquanto surge a ideia de uma nova forma de ganhar dinheiro. Tem tudo a ver com o momento, com as circunstâncias e com os intervenientes. Estar na hora certa e no local certo é uma expressão que se utiliza quando o negócio é concretizado, mas isso não existe. Existem, sim, pessoas dispostas a fazer coisas novas, com muita vontade de ganhar dinheiro nem que seja simplesmente por uma transacção. É tudo uma questão de saber agarrar uma oportunidade que, enquanto ninguém a apanha, está de facto perdida.

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