Uma reflexão sobre comportamentos*

Por a 15 de Setembro de 2000

Manuel Patarrana
TBWA-EPG
DIRECTOR-GERAL

Folheando por razões de apoio escolar familiar esta obra, fiquei surpreendido com o que pode dizer só com uma página:

Quando um cego — alucinado, baixio, ignorante, deslumbrado, estúpido, imprudente, inconsciente, tenebroso, sumido, lusco, obsceno, precipitado, obliterado, indistinto; que pensa ser celeste — admirável, beatífico, belo, celestrial, célico, delicioso, divinal, divino, etéreo, excelente, excelso, extraordinário, magnífico, perfeito, sobrenatural; quer chegar a ser célebre — abalizado, afamado, conhecido, decantado, excêntrico, extraordinário, famoso, herói, ilustre, ínclito, insigne, laureado, nomeado, notável, notório, singular, soado; não se incomoda de ceifar — abater, aniquilar, arruinar, colher, cortar, degolar, destruir, extinguir, matar, proscrever; mesmo gerando uma grande cegada —confusão, salgalhada, trapalhada; pois de um celerado — perverso, ruim, desalmado, depravado, miserável, outra coisa não seria de esperar.

Só que o dicionário de sinónimos tem 1230 páginas e lá também se encontram palavras como fedor, humilde, humilhar, extorsão, extinção, sucesso, tenacidade, respeito, trabalho e honesto.

Acredito que 1229 páginas valham mais do que esta triste 287, número em que nunca jogarei a partir de hoje, seja em que condições for.

O comportamento humano é realmente uma questão que devemos aprofundar. Descartes diz, logo no início do seu Discurso do Método, que «o bom senso é a coisa mais bem distribuída do mundo, porque cada um pensa estar tão bem provido do mesmo que até os mais difíceis de contentar com outros bens quaisquer não têm por costume desejar mais senso do que aquele que já possuem, no que é inverosímil que todos se enganem». E essa é uma verdade inquestionável no sector da comunicação, se é que aqui alguém com isso se preocupa.

Há sim, a preocupação da intriga, do ódio, da falsidade, da luxúria, da inveja, etc., de modo a levar os outros a desistirem. Puro engano. Como dizia o Cardeal de Retz, «em termos de calúnias, tudo o que não prejudica serve aquele que foi atacado», pois que «há pessoas que facilmente retiram o que disseram, como se retira uma espada do ventre do seu adversário», (Renard), pessoas essas que «da moral só têm um pedaço. É um tecido de que nunca farão um fato», como escreveu Joubert.

Pois como dizia Spinoza, «compreender é o começo da aprovação», dos comportamentos e necessidades do ser humano, pois que, e citando H. Ford, «as duas coisas mais importantes não aparecem no balanço da empresa: a sua reputação e os seus homens». E para isso é preciso separar o trigo do joio, pois «é preferível ser irresponsável e estar com a verdade, do que responsável e no erro» (Sir W. Churchill). Por isso, como dizia Voltaire, «o melhor governo é aquele em que há o menor número de homens inúteis», o que se aplica ás empresas, pois que há que apostar na formação, no E-learning, no futuro actual, pois que «o saber é o único utensílio de produção que não está sujeito a rendimentos decrescentes» (J.M Clark), e que poderá levar o homem a alterar o seu comportamento actual, e a procurar o aperfeiçoamento de forma constante, contínua e irreversível. O futuro aos detentores do conhecimento e do saber pertence.

*A página 287 do Dicionário de Sinónimos da Porto Editora-2ªedição

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